A História do Cristianismo – A Igreja Católica e a Reforma Protestante! Parte 5

A História do Cristianismo – A Igreja Católica e a Reforma Protestante! Parte 5

A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

( A História do Cristianismo – Parte 5 – Tese de Conclusão de Curso Bacharel em Teologia – Fatefé- SP – Nov/2017 – Pr. Pedro Motta)

2. A IGREJA CATÓLICA E A REFORMA

A Igreja crescia e prosperava de forma maravilhosa e, apesar dos percalços das heresias e da grande perseguição realizada pelo império romano, seguia triunfante. Tendo em vista que toda a oposição levantada e toda armadilha interposta não surtiram efeitos, o grande dragão, a antiga serpente, o inimigo do Senhor resolveu intervir de forma objetiva e inteligente: semeou o joio entre o trigo plantado.

 2.1 O Catolicismo Romano

Com o grande crescimento da Igreja Primitiva e para evitar a infiltração de novas heresias, como ocorreu nos primeiros anos da Igreja, os líderes da Igreja Primitiva resolveram criar uma entidade cristã fortalecida, como uma associação mundial das Igrejas cristãs, sob a denominação de Igreja Católica, termo que significa Igreja Universal. Para supervisão, elegeram cinco bispos que passaram a ser os líderes máximos da Igreja: O de Roma, o de Jerusalém, o de Antioquia, o de Constantinopla e o de Alexandria.

Mock (2003), nos apresenta em seu trabalho sobre o panorama da história da Igreja, dados muito elucidativos sobre a fundação e o crescimento da Igreja, onde apresenta uma linha de tempo muito detalhada da história evolutiva da Igreja Católica, sobre o qual nos baseamos.

Mock ainda considera que em 312 AD, o próprio imperador Constantino converteu-se ao cristianismo, após uma experiência pessoal durante uma batalha, segundo narra uma lenda romana. Depois dessa experiência, converteu-se ao cristianismo e passou a permitir o culto cristão em todo o império. Em seguida, o cristianismo tornou-se, na prática, a religião oficial do império romano e todas as outras religiões pagãs foram proibidas e perseguidas.

Em 325 AD, sob a direção do imperador Constantino, foi promovido o Concílio de Nicéa, para definir as principais crenças e normas que deveriam nortear a conduta dos cristãos, normatizando a doutrina geral, o que foi um marco na constituição da religião cristã.

Em 380 AD, sob o governo do Imperador Teodósio, o Cristianismo foi oficialmente declarado como a religião do Imperador e, por conseguinte, do Império Romano.

Neste momento, ficou consolidado a união da Igreja Católica com o Império Romano, simbolizada pela Igreja de Pérgamo, o casamento pervertido como nos ensina a Bíblia.

Em 455 AD, o mesmo Constantino determinou que o Bispo de Roma passasse a ser a autoridade máxima da igreja recém- oficializada, sob a denominação de Papa.

Segundo Mock (2003), foi Leão I, Bispo de Roma, quem primeiro usou o título de Papa, embora essa observação não seja aceita de forma unânime entre os  teólogos.

Depois desse processo, consolidada na sua estrutura e doutrina, foi renomeada para Igreja Católica Apostólica Romana. Ficando definido que essa instituição é formada por uma assembleia (Igreja), seguidora dos apóstolos de Cristo (apostólica), com sede em Roma (romana), que deveria espalhar a fé para todo o mundo (católica), palavra que significa universal.

A partir do momento que a Igreja Católica, com sua fé cristã, passou a ser a religião oficial do Império Romano e de todos os povos pagãos dominados na época, principalmente com o apoio de Constantino, tornou-se uma instituição rica e poderosa.

Entretanto, a nova religião tornada oficial, para ser aceita pelo povo romano pagão e pelos outros povos dominados, também pagãos, criou inúmeros e sérios problemas para cúpula da Igreja Católica e para o imperador.

Como explicar a um povo pagão acostumado de longa data a adorar diversos deuses pagãos, com atribuições diversas e, de uma forma repentina, passarem a adorar apenas um único Deus?. Essa situação gerou um problema insolúvel e que precisava ser resolvido com urgência, para evitar uma revolta no meio do povo pagão.

Mock (2003, p. 62), alerta: “Mas com a multidão de convertidos ao Cristianismo, veio também a invasão de muitas práticas e pensamentos religiosos pagãos.”

Assim, uma solução foi encontrada para o problema. A chamada transferência ou substituição dos deuses pagãos pelos santos católicos. Então se criou “santos e santas” católicos, que passaram a absorver as “funções” dos deuses pagãos, ocorrendo uma transferência das atribuições dos deuses pagãos para os novos  santos.

Com relação à Maria, que os católicos apregoam como a mãe de Deus, ocorreu algo diferente. Foi-lhe atribuído um poder igual ao do Filho Jesus. Ela unificou e passou a representar de forma diversificada todo o universo das deusas pagãs, através dos títulos aplicados, segundo a ocasião e a necessidade, daí surgiram: as diversas “Marias”.

Dessa forma, podemos afirmar que na realidade, houve uma absorção do paganismo pela então chamada Igreja Católica. Agora, a Igreja travestida, foi ficando cada vez mais poderosa politicamente e se expandiu mundialmente.  

Infelizmente, o joio plantado germinou, cresceu e deu origem aos desvios doutrinários graves, tais como: Confissão auricular, que tinha por objetivo espionar e fiscalizar de perto cada membro religioso e os seus atos e atitudes, muito importante numa época que a Igreja ganhava poder e influência política, passando também a influenciar e dominar os governos locais.

A venda das indulgências, onde os pecados eram perdoados através do tilintar das moedas nos cofres da igreja, que se enriquecia e, por isso, aumentava sua influência e poder.

Dogmas e heresias foram criados pela Cúpula da Igreja Católica: Adoração aos Santos; Adoração e culto a Maria; Ascenção de Maria; Maria Intercessora; Batismo de Bebês; conceito do Purgatório; transubstanciação; infalibilidade papal e várias outras.

Esse desvio doutrinário foi crescendo até culminar com uma reação dentro da própria Igreja Católica. Houve um movimento, em que Monges Católicos começaram a contestar fortemente e frontalmente esses novos dogmas, os principais deles foram: Martinho Lutero, Alemanha e posteriormente João Calvino, França.

Teve início a Reforma Protestante e a divisão da Igreja Católica, já muito distanciada do caminho original da Igreja Primitiva.

2.2  Protestantismo: Lutero e Calvino

A Reforma Protestante foi uma reação não só aos dogmas e heresias criadas, mas também aos descaminhos morais e sexuais trilhados pela cúpula da Igreja Católica.

A Reforma foi iniciada no começo do século XVI pelo monge alemão Martin Lutero e   culminou com a publicação das suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517, em frente à Igreja do Castelo de Wittemberg, na Alemanha. Todas contra os desvios doutrinários assumidos pela Igreja Católica Romana.

As 95 teses deram origem a um movimento de ruptura no seio da Igreja Católica. O Papa Leão X exigiu uma retratação de Lutero, ameaçando-o condena-lo por heresia, mas Lutero rompeu com a Igreja Católica. Foi processado por heresia notória e excomungado. Continuou firme na sua posição de denunciar os desvios doutrinários e nunca recuou.

Mock (2003, p. 134) destaca:

 “O impacto gerado por Lutero foi enorme, e, embora trouxesse ramificações politicas, ele foi primordialmente religioso, pois o Protestantismo havia nascido. Suas quatro principais doutrinas constituíam um forte contraste com a teologia Católica Roma: 1) A Salvação – pela fé, não por obras; 2) A Autoridade – da Bíblia, não da Igreja; 3) A Igreja – um organismo espiritual composto de todo o corpo dos que crêem e 4) A Vida Cristã – servindo a Deus, pela fé, quer clero, quer leigo.”

Ele pediu uma reforma religiosa, com a correção de tudo aquilo que estava errado, segundo sua avaliação doutrinaria.  

Logo depois, em 1534, João Calvino, ex- monge, também aderiu e encampou a posição protestatória de Lutero e apoiou sua reforma. João Calvino criou o “Calvinismo”, um braço religioso da reforma protestante.

Em resposta às ideias reformistas de Lutero e Calvino, a Igreja Católica Romana iniciou a chamada “contra reforma”, tentando enfrentar o movimento protestante, que já se expandia por toda a Europa da época. A Reforma Protestante forçou a Igreja Católica a rever suas posições heréticas e o Concilio de Trento foi o principal instrumento de reorganização do catolicismo, organizado pelo Papa Pio V e Gregório XIII, tendo como alvo reavivar a fé cristã, através da reformulação da disciplina religiosa.

Mesmo assim, a Igreja Católica manteve o seu conceito de que a sua Tradição Cristã era igual ou prevalecia nas questões doutrinárias em confronto com a Bíblia.

O termo protestante foi dado, no início do movimento reformador, pelos católicos ao se referirem aos que apoiavam a Lutero, como aqueles que protestavam, daí o nome protestantes. Entretanto, os apoiadores de Lutero não aceitavam essa denominação e se autodenominavam Evangélicos, para identificar os que lutavam em defesa do Evangelho, termo que permanece até hoje.

 2.3  “Sola Scriptura”

Com a Reforma Protestante, foram aprovadas as cinco proposições teológicas denominadas as “Cinco Solas”: “Sola Scriptura” – só a Bíblia é a base fundamental da Igreja de Jesus; “Solus Christus” – somente Cristo salva; “Sola Fide” – somente a fé nos liga diretamente a Deus através de Jesus; “Sola Gratia” – a salvação é exclusivamente pela graça de Jesus e “Sola Deo Glória” – somente Deus é digno da nossa adoração e glória.

Através do movimento “Sola Scriptura,” ficou estabelecido, de forma plena e absoluta, o princípio doutrinário pelo qual a Bíblia assume completa autoridade, quando confrontada a qualquer conflito doutrinário com a tradição católica.  Assim, toda vez que houver conflito doutrinário entre a Tradição Católica e as Escrituras, A Bíblia será sempre soberana…………… (a continuar….)

 

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Dr. Pedro Motta

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