A História do Cristianismo – AS IGREJAS EVANGÉLICAS E O PENTECOSTALISMO! Parte 6

A História do Cristianismo – AS IGREJAS EVANGÉLICAS E O PENTECOSTALISMO! Parte 6

A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

                ( A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO -  Parte 6 – Tese Apresentada na Conclusão do Curso de  Bacharel  em Teologia – Fatefé-SP – Nov/2017 – Pr. Pedro Motta)             

(Continuação)…. AS IGREJAS EVANGÉLICAS E O PENTECOSTALISMO)

 

2.4  A Ruptura doutrinária

Durante muitos anos, a Igreja Católica colocou suas tradições em posição de superioridade em frente à Bíblia.  Isso, a partir dessa decisão, acabou!

A Bíblia, se autoproclama inspirada por Deus, não contém erros e possui plena autoridade doutrinaria em qualquer situação. E isso, a “Sola Scriptura” aceita e confirma, transformando-se não só em argumento poderoso contra a Tradição Católica e, mais do que tudo, como uma proteção contra doutrinas heréticas.  As tradições religiosas só serão aceitas, quando estiverem em plena concordância com as Escrituras.

Dentro da própria Bíblia existem livros no Velho Testamento que são aceitos pela Igreja Católica e não são aceitos pelas Igrejas Evangélicas, por não fazerem parte do Cânon Bíblico. São os denominados livros apócrifos.

 

2.5 A Igreja Evangélica tradicional

A Igreja Evangélica Tradicional surgiu após a Reforma Protestante iniciada pelo Monge Católico Martinho Lutero em outubro de 1517, com a publicação das suas 95 Teses contestatórias aos abusos e a imoralidade praticada pela cúpula da Igreja Católica e aos sérios desvios doutrinários promovidos pela Igreja na época.

Com a vitória da reforma e a liberdade alcançada por ela e, tendo em vista também, os vários religiosos que se uniram ao alemão Lutero, como: João Calvino na França; Ulrico Zwingler na Suíça etc., que deram origem a várias correntes religiosas protestantes tais como: Igreja Luterana; Igreja Presbiteriana; Igreja Anglicana, Igreja Metodista, Igreja Batista, etc. todas elas presentes no Brasil.

 

2.5.1 Igreja Luterana

Criada com base nas concepções teológicas de Lutero, que condenava o comportamento moral dos monges e da cúpula da Igreja Católica. Afirmava que a única salvação seria pela fé.

 

2.5.2 Igreja Presbiteriana

De acordo com o ensinamento do teólogo francês João Calvino, o Calvinismo tem como base teológica a predestinação divina. Segundo essa teoria, Deus faria uma escolha prévia e definida daqueles que seriam salvos para a eternidade e os outros já condenados ao inferno. Em seguida, o teólogo holandês James Arminius daria início a outra vertente dentro do presbiterianismo, que foi chamada de Arminianismo, que possui como base teológica a valorização do Livre Arbítrio. Enquanto o Calvinismo enfatiza a soberania de Deus quanto a salvação, do ponto  de vista de Armínius, o homem é o principal responsável pela escolha da sua salvação, com o exercício do Livre Arbítrio.

 

 2.5.3 Igreja Anglicana

Criada em causa própria pelo Rei inglês Henrique VIII em 1534, devido a sérias restrições da Igreja Católica em relação à anulação do seu primeiro casamento, para se unir a outra mulher, o que foi recusado pela cúpula Católica. Daí ele rompeu com a Igreja, ficando dessa forma livre para se casar de novo. Como nessa época eclodiu a Reforma, aproveitou a ocasião e criou a Igreja Anglicana, com normas e doutrinas muito semelhantes à Católica.

 

2.5.4 Igreja Metodista

Surgiu no século 18 na Inglaterra, propondo reformar a Igreja Anglicana criada anteriormente. Sua base teológica era na salvação pela fé em Jesus. Não conseguiram reformar a Igreja Anglicana, mas deram origem a uma nova corrente protestante.

2.5.5 Igreja Batista

A Igreja Batista nasceu através de um grupo de ingleses que migraram para a Holanda em 1608, fugindo da perseguição religiosa. Comandados por John Smith que era clérigo e Thomas Helweys que era advogado. Em 1609, lançaram as bases teológicas do se tornaria a Igreja Batista, recebendo esse nome devido a grande valorização do batismo por imersão, ao contrário do batismo por aspersão da Igreja Católica, além da ênfase na declaração pública da profissão de fé realizada no batismo. Entretanto, com relação à salvação, apregoavam o conceito de uma vez salvo, salvo para sempre, o que não é aceito pacificamente pelas demais denominações evangélicas.

 

  3 O PENTECOSTALISMO

O Pentecostalismo iniciou como um movimento de renovação espiritual evangélico, baseado no fenômeno de Pentecostes, de onde sedimentou sua doutrina básica do batismo no Espírito Santo, que está disponível para todos os cristãos, que O buscarem e a valorização e o pleno exercício dos dons espirituais.

Todas as denominações pentecostais possuem em comum, além do batismo no Espírito Santo, a crença e o intenso exercício dos dons espirituais, a oração não convencional, fervorosa, e o avivamento espiritual nos cultos.

O Pentecostalismo é originário do grupo maior do protestantismo tradicional.

 O fenômeno de Pentecostes é considerado o marco zero da criação, organização e expansão da Igreja Primitiva, como passou a ser conhecida na época, por alguns teólogos. Apregoa a plenitude do Espírito Santo de Deus, permitindo ao homem buscar ser cheio desse Espírito, aos que creem e desejem.

A busca sincera para receber o Espírito Santo de Deus e os dons espirituais passou a ser o objetivo de todo cristão. O próprio Apóstolo Paulo nos orienta: “Enchei-vos do Espírito.” (Efésios 5:18).

 

 

3.1  A doutrina Pentecostal

A Teologia Pentecostal está baseada, segundo a maioria dos teólogos pentecostais, em uma doutrina fundamental que é o batismo no Espírito Santo. Além disso, somam-se outras características baseadas nos seguintes dons espirituais, podendo variar segundo a denominação estudada: Línguas, falar e interpretar; Cura; Profecia e Ciência.  

A base Bíblica da Teologia Pentecostal baseia-se no fenômeno descrito no Livro de Atos, Capítulo 2 e na experiência pessoal de cada cristão. 

Apesar de alguns Pastores de Igrejas Evangélicas Tradicionais, conjecturarem que os fenômenos espirituais ocorridos em Pentecostes foram apenas para a Igreja Apostólica daquela época e lá permaneceram, existem passagens na Bíblia que confrontam com esse pensamento.

O Apóstolo Paulo deu instruções claras sobre os dons espirituais em sua carta a Igreja em Coríntios e que continuam valendo para Igreja de Cristo atual. (cf 1Coríntios 12: 1-11).

Aprendemos algumas coisas importantes com esta passagem: Primeiro, os dons espirituais não foram endereçados apenas para a Igreja em Corinto e sim a toda a Igreja do Senhor Jesus.

Segundo, Paulo deixa claro que não queria que os irmãos daquela época fossem ignorantes, isto é, desconhecessem os dons ofertados e, também, aprendessem como aplica-los em suas vidas e na Igreja. Todo dom tem que ter um fim proveitoso, para o Reino do Senhor e não para vaidade própria. Dessa forma, não há nenhuma restrição aos dons nas Igrejas contemporâneas.

 

 3.1.1 Batismo no Espírito Santo

Ao falarmos sobre o batismo no Espírito Santo, devemos relembrar em primeiro lugar das palavras de João Batista referindo-se a Jesus: “Eu, em verdade, tenho-vos batizados com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” ( Marcos 1: 8). Com isso, fica bem claro que esse batismo já fora profetizado muito antes do evento de Pentecostes.

Outro fato que precisamos ressaltar sobre esse batismo, é que podem existir dois significados diferentes dependendo do contexto observado. O primeiro, diz respeito ao ato de conversão do cristão. A Bíblia nos ensina que quando uma pessoa aceita Jesus como seu único e suficiente salvador, neste ato recebe o Espírito Santo em sua vida o qual promove uma comunhão com o seu espírito, permitindo sua comunhão com Deus.  

Dessa forma, todos os salvos possuem o Espírito Santo e, como consequência, eles recebem a certeza da salvação, alcançando entendimento a respeito da Palavra e se incorporando ao Corpo de Cristo, sua Igreja Fiel.

O segundo contexto, relaciona a uma experiência especial e profunda que o cristão pode ter com o Senhor Deus, através do batismo no Espírito Santo.  

Wiersbe (2006, p. 526) esclarece em relação ao primeiro Batismo no Espírito Santo: “Em Pentecostes, o Espírito Santo batizou os cristãos e os uniu em um só corpo.”:

Essa é uma doutrina básica e primordial dentro da Doutrina Pentecostal e dentro deste contexto, o batismo com o Espírito Santo é uma real e viva operação do Espírito de Deus na vida do cristão.

Segundo Brunelli (2016), a descida do Espírito Santo sobre os discípulos em Pentecostes, precisava de um sinal de grande evidência para marcar e realçar sua presença e, dentro deste contexto, foi apoteótica conforme a descrição em Atos 2.

Na Bíblia podemos encontrar 07 referências ao Batismo Espiritual: Mateus 3: 11; Marcos 1:8; Lucas 3:16; João 1:33; Atos 1: 4-5; Atos 11: 15-16 e 1 Coríntios 12: 13.

Devemos ressaltar que, nem todos os que são batizados no Espírito Santo falam  “línguas estranhas” ou passam a ser mais “espirituais” do que outros irmãos.

Algumas denominações Pentecostais condicionam o Batismo no Espírito Santo com o falar em “línguas estranhas” ou a glossolalia, fato que não é aceito de forma pacífica por outras denominações pentecostais.

Brunelli (2016, p. 249), apoia esse condicionamento, quando declara: “Além do batismo, evidenciado por línguas estranhas, o Espírito Santo ainda disponibiliza outros nove dons sobrenaturais, os quais devem ser praticados para a edificação da Igreja de Jesus ou não teriam razão para existir.”

Assim, o Pentecostalismo deu origem a uma renovação e avivamento dentro do protestantismo tradicional, baseado na crença de que a experiência do batismo no Espírito Santo deverá ser estimulada e ampliada a todos os cristãos. São inúmeras as denominações pentecostais e todas possuem como ponto central o batismo no Espírito Santo e a busca, exercício e crença nos dons espirituais.

 

 3.1.2 Dons Espirituais

 O Apóstolo Paulo apresenta a relação dos dons espirituais que o Senhor concedeu à Sua Igreja, através do Espírito Santo, como vemos em 1 Coríntios 12:8-11.

A Igreja em Corinto naquela época possuía os mesmos defeitos das nossas Igrejas atuais. A necessidade básica permanece a mesma. Assim, os objetivos no uso dos dons espirituais tem que ser os mesmos, porque Deus é o mesmo. Devendo ficar claro que os dons não nos pertencem, são de propriedade exclusiva do Espírito Santo. Como ficou claro no texto Bíblico mencionado acima, Ele nos concede esses dons segundo a sua exclusiva vontade e propósito. Esses dons precisam ter sempre um objetivo proveitoso para a Igreja e não é para o enaltecimento próprio. Os dons são vários porque são várias as necessidades da Igreja.

Com o advento da Reforma Protestante, o conhecimento da Bíblia passou ao alcance de um grande número de cristãos e, desse modo, os dons espirituais passaram a ser mais aceitos, divulgados e compreendidos. Coube a Calvino a primazia de sistematizar a doutrina do Espírito Santo, passando a ser conhecido como o teólogo do Espírito Santo.

Em seguida, observamos o envolvimento e manifestações poderosas de dons espirituais no ministério de Charles Spurgeon, João Wesley, Finney e Moody, ao longo do tempo.

Entretanto, praticamente em todas as denominações Pentecostais e as Tradicionais, encontramos um consenso e quase uma unanimidade: mais importante do que o exercício dos dons espirituais, deve ser estimulado, buscado e exercitado o Fruto do Espírito, conforme a descrição do Apóstolo Paulo em  Gálatas 5:22-23.

 No inicio deste século, houve uma “renovação espiritual do Pentecostalismo”, que surgiu com o movimento de avivamento espiritual em 1906, na Rua Azuza, em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, pelo pastor Metodista e filho de batistas, William Seymur, quando passou a dar grande ênfase e valorização a busca pelos dons espirituais considerados miraculosos.

Sobre esse período, Brunelli ( 2016), acrescenta que antes do avivamento da Rua Azuza, ocorreram movimentos anteriores como o de Keswick, na Inglaterra, no qual Moody estava envolvido; no País de Gales com Evan Roberts e o movimento denominado Holiness, na América. Desse avivamento americano, surgiu o pentecostalismo que hoje nós conhecemos, através da agregação e divulgação do Pastor Willian Seymour. 

Após esse período, o pentecostalismo se difundiu de forma espetacular em todas as nações, levando a novos derramamentos e avivamentos do Espírito Santo em inúmeros e variados países do globo terrestre.

 

3.1.3 Dom de Línguas

Dentre os dons espirituais descritos acima, um dos mais discutidos e questionados é o dom de línguas, a glossolalia, pelas Igrejas Evangélicas Tradicionais. O Apóstolo Paulo faz uma classificação de forma hierárquica ao classificar os dons espirituais. (cf 1 Coríntios, 12:28). O dom de línguas vem em último lugar nesta escala.

Algumas denominações pentecostais colocam esse dom como fundamental dentro da sua teologia, como comprovação absoluta do batismo no Espírito Santo, o que não possui um respaldo consistente na Bíblia.  

Com relação à variedade de línguas, Brunelli (2016, p.289) esclarece: “Em pelo menos sete dos nove dons, encontramos respaldo no Antigo Testamento, os dons de variedade de línguas e interpretação de línguas não estão lá, porque esses dons vieram a partir do Pentecostes.”

Dentro deste assunto, alguns líderes religiosos tradicionais classificam as línguas verificadas no fenômeno de Pentecostes, de forma diferente com o dom de língua descrita por Paulo em 1 Coríntios, alegando que seriam duas vertentes diferentes. Na primeira seriam línguas humanas conhecidas na época. Na segunda seriam línguas estáticas e que precisariam ser interpretadas.

Paulo nos ensina que o dom de línguas é um sinal para os descrentes para poderem ouvir as maravilhas que Deus anuncia nas suas línguas, conforme está esclarecido em 1 Coríntios 14:22.

Ele ainda enfatiza que se nós falarmos em língua estranha, edificamos a nós mesmos, pois ninguém entenderá, mas se profetizarmos, toda a Igreja será edificada. Então, ao usarmos o dom de línguas é necessário que tenha quem interprete, de preferência em profecia, para que a Igreja seja abençoada.

 

3.1.4 A Batalha Espiritual

Apesar de ser questionada por grande parte das Igrejas Evangélicas Tradicionais, a doutrina da batalha espiritual é defendida intensamente pela grande maioria das Igrejas Pentecostais, com grande base Bíblica.

O Apóstolo Pedro nos afirma que existe uma batalha física constante entre o cristão e satanás e isso é do conhecimento de todos. ( cf 1 Pedro 5:8).

O Apóstolo Paulo nos leva a um nível mais alto, o nível espiritual, onde declara que a nossa guerra é contra as potestades e as hostes espirituais do mal. (cf Efésios 6:12).

Fica cristalino que a nossa batalha contra satanás não é só na carne, mas sim, no plano espiritual. Paulo detalha e enumera os nossos reais inimigos: os principados; as potestades; os dominadores, que são as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais. Essa é a principal batalha que lutamos todos os dias de forma ininterrupta contra as hostes malignas de satanás, a chamada batalha espiritual porque ocorre na esfera espiritual.

Entretanto, devemos ressaltar que o Senhor Deus nos fornece todas as armas necessárias para combatermos e vencermos sempre essa batalha. Armas de ataque e defesa. Clamor pelo nome de Jesus; jejum, oração e a armadura de Deus.

Dessa forma, fica evidente que a Batalha Espiritual preconizada pela Teologia Pentecostal possui pleno respaldo Bíblico e deve ser aceita e praticada, sem dúvidas.

 

3.2 As Primeiras Igrejas Pentecostais no Brasil

No Brasil, o Pentecostalismo começou em torno de 1910/1911 com a chegada dos Missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren a Belém do Pará, onde iniciaram reuniões com os locais em busca do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais e logo foi criada a Igreja Assembleia de Deus no Brasil. Outro missionário, Louis Francescon, aportou na região sul e sudeste do Brasil, onde deu inicio a um trabalho de difusão da doutrina pentecostal entre as colônias italianas que dominavam aquelas regiões, originando a Congregação Cristã no Brasil.

O Pentecostalismo no Brasil é dividido em três partes, ou três ondas, como também é denominado. São elas:  ( Continua)….

 

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Dr. Pedro Motta

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