A HISTORIA DOS HEBREUS! – RESUMO DO LIVRO DE FLÁVIO JOSEFO – PARTE 4

A HISTORIA DOS HEBREUS! – RESUMO DO LIVRO DE FLÁVIO JOSEFO – PARTE 4

A HISTÓRIA DOS HEBREUS

( RESUMO DO LIVRO DE FLAVIO JOSEFO – 1568 PÁGINAS – PARTE 4)

          (Trabalho apresentado no Curso de Bacharel em Teologia – FATEFE-SP – 2017)

                                                      Bel. Racchel Motta

Continuação……. Então o Senhor fala a Moises de mandamentos que eram para serem cumpridos, como selo do pacto entre Deus e o povo. O povo ficou assombrado com o poder de Deus manifesto no monte e temeram se achegar e disseram a Moises que eles ouviriam o que Deus falasse através dele, sem precisar eles se achegar ao pé do monte.

 Outra vez então Moises subiu ao monte e ele ouviu todas as palavras que o Senhor lhe falara acerca das ordenanças a serem cumpridas e ao descer ele escreveu tudo conforme ouvira e ele edificou um altar ao pé do monte e 12 colunas segundo as 12 tribos de Israel e ofereceu holocaustos ao Senhor e tomando o livro do pacto que escrevera o leu perante o povo.

 O povo concordou com tudo que ouviram que Moises lera, e eram leis e regras a serem obedecidas, quanto ao proceder do povo com relação a Deus e com relação ao seu próximo, bem como quanto a leis cerimoniais que ensinavam como o povo deveria adorar a Deus, estipulando seus deveres e também suas festas solenes a serem comemoradas.

Depois disso Deus mandou Moises subir ao monte e esperar que Ele lhe desse as tábuas de pedra, que teriam a lei com os mandamentos que Deus iria escrever. Moises então vai com Josué, seu servidor e subiu ao monte Sinai, mas antes ordenou aos anciãos que esperassem junto com o povo até que eles retornassem. Deixou Arão e Hur para resolverem as pendencias caso fosse necessário um árbitro.

Tão logo Moises subiu, uma nuvem cobriu o monte, anunciando ao povo que o Senhor estava com Moises. Só depois de 6 dias, e no sétimo dia, foi que o Senhor aparece a Moises e sua aparência era de um fogo consumidor tal era a sua glória. Por 40 dias e noites esteve Moises ali e o Senhor lhe orientou sobre o tabernáculo, um lugar a ser construído onde o Senhor iria falar com Moises, quando continuassem a caminhada.

Deus também  falou também das ofertas que o povo daria para a construção do tabernáculo, especificando cada material e cada peça que iria compor o mesmo. Mostrou as funções de cada peça e o propósito que cada uma representava.

 Este tabernáculo seria um santuário onde o Senhor se manifestaria ao povo quando fosse necessário e onde o povo, através, dos sacerdotes, se comunicariam com Deus.

 Mostrou ainda Deus a Moises o modelo, a planta do tabernáculo, com uma arca esculpida, onde estariam as duas tábuas que Deus iria lhe dar, também mostrou uma tampa de ouro puro com 2 querubins, um faceando o outro, que ficaria sobre a  arca. Nesta arca, no meio dos querubins é que Deus iria se manifestar com a sua gloria.

Ele mostrou ainda a Moises o desenho de uma mesa, de acácia, onde teria os pães além dos utensílios como pratos, colheres, cântaros, tigelas, tudo em ouro; mostrou o desenho do candelabro de ouro, com 3 braços à direita e 3 à esquerda da haste central, com cálices no formato de flor de amêndoa, onde se colocariam as lâmpadas e os espevitadores e os cinzeiros também de ouro puro.

Mostrou ainda o Senhor o desenho das cortinas que fechariam o tabernáculo, como paredes; suas tábuas, seus travessões, o véu e o reposteiro. Mostrou o altar dos holocaustos e do papel que os sacerdotes, com suas vestes, exerceriam no tabernáculo. Detalhou como seriam as vestes sacerdotais.

Deus escolheu a Arão e a seus descendentes para administrarem o oficio sacerdotal e descreveu todo o cerimonial da consagração, dos holocaustos, das ofertas, do óleo da unção e de que seria este óleo sagrado composto, e com a finalidade de ungir toda a arca, a mesa, o altar e todo o mais que seria santificado dentro do tabernáculo.

O Senhor ainda determinou a Moises, os artífices que teriam a excelência dada pelo Espírito de Deus para executarem toda essa obra, sendo eles Bezaleel, da tribo de Judá e Aoliabe da tribo de Dã. Ainda Ele orientou que o povo guardasse o sábado para se santificar e assim se perpetuaria o pacto entre Deus e o seu povo.

Enquanto isso, o povo vendo que Moises tardava em descer do monte, como já tinham vários dias que ele subira, começou a pressionar Arão e lhe pediram que ele fizesse um deus que fosse adiante deles na jornada, porque não sabiam o que tinha acontecido com Moises, e poderia ser até que ele já tivesse morrido lá em cima do monte.

Arão então pediu que eles tirassem os pendentes de ouro de todas as mulheres e de seus filhos e filhas e trouxessem para ele. Arão então tomou uma forma e fez um bezerro de ouro fundido. O povo ao ver o bezerro disse que ele era o deus deles que os tinha tirado do Egito. E Arão ainda fez um altar e o povo proclamou uma festa, e no dia seguinte festejaram com alegria adorando o bezerro.

No  monte, Deus alerta a Moises o que estava acontecendo com o povo, que era de dura cerviz e disse que Moises descesse porque o povo estava em pecado. Ao descer, Moises tinha em suas mãos as tábuas que Deus lhe dera, escritas pelo próprio Deus, e se junta a Josué, que o esperava. Ele contou a Josué o que Deus falara sobre o povo e ao ouvirem um alarido, viram que era alarido de comemoração pelo bezerro que estavam adorando. Chegando ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se a ira de Moises e ele arremessou as tábuas, que estavam em suas mãos, ao chão e as despedaçou.

Moises então tomou o bezerro e o lançou no fogo, derretendo até virar pó que misturou com água e deu para o povo beber. Perguntou Moises a Arão porque tinha ele feito aquilo, trazendo tamanho pecado sobre o povo e Arão disse que o povo tinha o pressionado porque eram inclinados para o mal.

Moises então se põe na entrada do arraial e perguntou quem estava ao lado do Senhor e só a tribo de Levi se posicionou ao lado do Senhor. Ele então pediu que os levitas matassem a todos os idólatras e cerca de 3000 homens morreram à espada pelos levitas naquele dia.

Moises, no dia seguinte, disse ao povo do grande pecado que tinham cometido e que iria rogar a Deus por eles, para que Ele não os abandonasse ali. Moises então sobe ao monte e roga pelo povo para que Ele os perdoasse, suplicando a Ele por misericórdia. Deus responde a Moises que todo homem que pecar será riscado do livro da vida e manda Moises conduzir o povo para Canaã e que o anjo do Senhor iria com eles. O Senhor também disse a Moises que lavrasse 2 tábuas de pedra, como as primeiras que Moises quebrara e as levasse ao monte. No dia seguinte Moises levantou-se de madrugada levando consigo as 2 tábuas de pedra, subiu ao monte mais uma vez.

O Senhor, além de escrever nas tábuas as leis, dá orientações sobre a terra que iriam conquistar, dizendo que o povo faria proezas em meio das nações pagãs e que eles deveriam lança-los fora e que não deveriam fazer pacto com os habitantes dessa terra, para que não caíssem no laço deles, com seus deuses e seus costumes pagãos. Moises ficou ali por 40 dias e noites e os dez mandamentos foram escritos novamente e entregues a Moises.

Quando Moises desceu do monte Sinai, seu rosto resplandecia e ele reuniu o povo, Arão e os príncipes e lhes falou tudo o que Deus lhe orientara.

O conteúdo das 2 tábuas, onde estavam os 10 mandamentos era:

1º.Não terás outros deuses diante de mim

2º.Não farás para ti imagem  esculpida nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra

3º.Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão

4º.Lembra-te do dia do sábado para o santificar

5º. Honra teu pai e tua mãe

6º.Não matarás

7º. Não adulterarás

8º. Não furtarás

9º.Não dirás falso testemunho

10º.Não cobiçarás a mulher do teu próximo nem coisa alguma do teu próximo

Assim o povo recebe os 10 mandamentos, considerados a lei magna, que deveriam ser observados pelos israelitas para que pudessem ser vitoriosos na terra a conquistar. O povo muito se alegrou com isso, e viu da necessidade de terem outras regras para sua constituição política, social, governamental, entre outras, porque agora entendiam que não eram mais escravos, mais um povo que começava a se constituir como nação.

Quando Moises desceu, trouxe consigo instruções para a construção de um tabernáculo, onde o próprio Deus se manifestaria, em algumas ocasiões, para falar com o povo. Este tabernáculo seria móvel e eles não mais precisariam subir no monte Sinai para falar com Ele, mas Ele estaria no tabernáculo durante sua caminhada rumo a Canaã. Moises mostra a planta que Deus lhe dera para a construção deste tabernáculo, que a partir de então seria a morada de Deus no meio do povo. Este lugar serviria de templo não só para Deus se manifestar ao povo, mas também para o povo falar com Ele, prestando-lhe culto e holocaustos em adoração.

Moises recebeu não só a planta, como também todo o projeto com detalhes do material a ser usado, cor, símbolos, utensílios, entre outros, para construção desse templo móvel. Seria ele dividido em 3 partes, com funções diferentes, não só fisicamente falando como também espiritualmente.

Todos os utensílios tinham uma conotação espiritual para a adoração do Deus dos israelitas. A parte que tinha a maior representação espiritual era a mais interior, chamada de Santo dos Santos, e nela seria colocada uma arca, que representaria a presença do próprio Deus, e dentro dessa arca, se colocaria as 2 tábuas da lei escritas por Deus, com os 10 mandamentos e a vara que Moises usara no Egito para fazer os sinais milagrosos.

Para esta construção, o povo doou ouro, prata, cobre, madeira de lei, pelo de cabra, pelo de carneiro, de cores variadas, lãs tingidas e linho fino. Doaram também pedras preciosas e perfumes e especiarias odoríferas. O povo estava contente ao contribuir com essa construção. E assim começaram os trabalhos segundo o modelo e desenho dado a Moises no monte, com as medidas e funções de todas as coisas que comporiam as 3 partes do tabernáculo.

A arca era de madeira nobre e toda coberta de lâminas de ouro, e na sua tampa seriam esculpidos dois querubins, com as asas que se tocavam, debruçados sobre a tampa da arca. Não só a arca, mas todos os utensílios tinham a descrição do material a serem feitos, bem como da sua forma e sua utilidade.

 

Não só os utensílios e vasos, mas também  as vestimentas dos sacerdotes, os ornamentos, o braseiro, as cortinas e os véus que separavam as partes internas, as colunas que sustentariam a estrutura, as bases dessas colunas, a bacia para os sacerdotes lavarem as mãos, o candelabro, vasos com incenso, o altar, a mesa com os pães ázimos, e outras peças e utensílios mais necessários para o culto a Deus.

O tabernáculo era composto de 3 partes, a saber: átrio externo, o Santo e o Santo dos Santos e nesse último, só o sumo sacerdote, uma vez ao ano, poderia entrar.  Todo o serviço a ser realizado nas 3 partes, bem como a finalidade de cada uma, foram bem definidos por Deus para Moises. Cada uma cumpria um propósito no que concernia ao culto espiritual requerido por Deus, para santificação do povo e para perdão dos seus pecados cometidos, quando este deixasse de cumprir os estatutos que Deus lhes dera.

Deus então orienta a Moises que consagre Arão, sumo sacerdote, e a seus filhos sacerdotes, e seria Arão quem iria diante de Deus em oração e em holocaustos de perdão pelo povo, sendo ele o intercessor entre Deus e o povo. Assim Arão foi consagrado a Deus e o tabernáculo e todos os seus objetos também foram.

Agora não se subia mais no monte Sinai para falar com Deus, mas era no tabernáculo que Deus se manifestava ao povo.

O povo foi dividido em 12 tribos, segundo os filhos de Israel e cada tribo tinha um príncipe que liderava a tribo correspondente.

As tribos e os seus respectivos príncipes, que foram escolhidos pelo Senhor, sendo que de cada tribo foi escolhido um homem que fosse o cabeça da casa de seus pais, foram assim levantadas:

Da tribo de Ruben, foi escolhido Eliezer; da tribo de Simeão, foi escolhido Selumiel; da tribo de Judá, foi escolhido Nasom; da tribo de Issacar, foi escolhido Netanel; da tribo de Zebulom, foi escolhido Eliabe; da tribo de José, foram escolhidos os seus filhos, sendo que de Efraim, foi escolhido Elisama e da tribo de Manasses, foi escolhido Gamaliel; da tribo de Benjamin, foi escolhido Abidã; da tribo de Dã, foi escolhido Aizer; da tribo de Aser, foi escolhido Pagiel; da tribo de Gade, foi escolhido Eliasafe; da tribo de Naftali foi escolhido Airá.

Os as tribo de Levi não foram levantados porque a incumbência deles era de cuidarem do Tabernáculo.

Deus provera todas as leis necessárias para um povo viver em relacionamento uns com os outros e com Deus: leis espirituais, leis civis, leis criminais, leis ambientais, leis políticas e leis cerimoniais, referentes as suas festas, aos seus sacrifícios e as purificações dentre outras solenidades.

Com relação aos sacrifícios, eles podiam ser particulares ou público e eram feitos de 2 maneiras: ou o holocausto era totalmente consumido pelo fogo ou era oferecido em ação de graças e poderia ser comido por quem oferecesse. Todas as regras de como estes sacrifícios deveriam ser feitos, bem como o que se podia oferecer como sacrifício, foram determinados por Deus.

Todos esses rituais de sacrifícios ou de ações de graças faziam parte da vida do povo hebreu, dos seus líderes e dos sacerdotes, todos os dias de suas vidas.

O tabernáculo móvel os acompanharia até chegarem à terra prometida por Deus, quando então se construiria um templo não mais móvel, mas de pedras e fixo e ficaria na cidade que seria a capital.

Moises separou, por ordem de Deus, a tribo de Levi, para a guarda do tabernáculo e dos objetos sagrados e assim, todos os que pertenciam a esta tribo foram consagrados a Deus para este fim específico.

Além das leis citadas acima, Deus entregou a Moises leis concernentes aos relacionamentos entre os homens, como família, como cônjuges e como cidadãos e como trabalhadores, bem como leis referentes ao cuidado com a natureza, e com a terra, orientando o cuidado de como cultivá-la para que ela continuasse a produzir frutos bons.

Houve também a preocupação de Deus para orientar leis concernentes ao culto a Ele, ao governo sobre o povo, mas também leis no que se referia a guerra, pois o Senhor sabia que teriam que se organizar militarmente para enfrentar as nações inimigas.

As 12 tribos foram recenseadas e foi levantado o chefe ou príncipe de cada uma delas. A tribo de Levi ficou fora do censo, porque ela era a responsável pelo tabernáculo e então Moises colocou no lugar da tribo de Levi a de Manassés, filho de José, e no lugar da tribo de José, ele colocou a de Efraim, ultimo filho de José.

O tabernáculo ficava no centro do acampamento e as 12 tribos acampavam ao redor. Uma nuvem cobria o tabernáculo, que denunciava a presença de Deus. Quando a nuvem se deslocava, era hora de levantarem acampamento e seguir a nuvem até que ela estacionasse outra vez. Isso ocorreu durante todo o tempo na caminhada para Canaã.

Certo dia, chegando eles perto da fronteira com os cananeus (povo que habitava Canaã), em Parã, Moises libera uma palavra ao povo, dizendo que estavam perto de conquistar a terra que Deus lhes prometera, contudo, apesar dos seus inimigos serem fortes e armados, o povo deveria confiar em Deus que os trouxera até ali com Sua mão poderosa, dando-lhes toda a proteção e suprindo-os em todas as suas necessidades.

Assim Moises pediu ao povo que cada tribo escolhesse um homem, sendo 12 ao todo, que iriam a Canaã para explorar a terra e trazer um relatório sobre seu modo de vida e sobre a terra que iriam conquistar.

Por 40 dias esses espias passaram entre os cananeus observando-os no seu dia a dia. Depois disso voltaram e 10 deles fizeram um relatório onde colocaram sérios empecilhos e onde colocaram tantas dificuldades como: terra onde habitavam gigantes, cidades fortes e protegidas, rios e montanhas a desbravar, e assim, concluíram que a terra era realmente boa, mas era impossível vencer os gigantes que ali habitavam, pois eles eram fracos e pequenos demais para isso.

Os outros 2 espias, Josué e Calebe, apesar de terem a mesma visão da terra que seus colegas, mas enfatizaram que era possível sim vencer os gigantes e que valia a pena conquistar a terra, porque Deus lutaria por eles como lutara até então, e não era pela fraqueza deles, mas pela grandeza e força de Deus que eles poderiam vencer.

Infelizmente o medo e a falta de confiança e fé dos 10 espias acabaram prevalecendo e contagiaram o povo que se sentiu desencorajado e fraco para lutar pela conquista da terra. Chegaram ao ponto de dizerem que Deus fazia promessas mas que eles não viam resultados. Acabaram se insurgindo contra Moises e resolveram apedrejá-lo e voltar para o Egito.

Tanto Josué, da tribo de Efraim como Calebe, da tribo de Judá, se opôs ao intento do povo e em vão, tentaram dissuadi-los a olhar com olhos da fé que a terra era fértil e os homens, poderiam ser derrotados, com Deus lutando ao lado deles. Assim eles falavam para acalmar o povo que se se arremeteu contra Moises e Arão, que estavam orando a Deus pela questão levantada.

De repente, a nuvem cobre o tabernáculo e Deus ordena a Moises que fale ao povo que, pela murmuração deles, mais uma vez, e pela dureza de seus corações e incredulidade, eles não entrariam na terra prometida, mas como errantes andariam pelo deserto, por 40 anos, até que toda a geração rebelde fosse extinta. Deus então não permite que eles avancem e retira a benção Dele neste propósito de conquistar Canaã.

Eles desobedecem e se organizam e marcham contra os cananeus e assim foram mortos aos milhares. O povo se volta outra vez contra Moises e Arão, e esta sedição foi liderada por Corá, influente personagem entre os hebreus, de tal modo que resolvem matar Moises. Então neste exato momento a terra começou a tremer e se abriu e engoliu a Corá e a todos os que se rebelaram contra Moises.

 

O povo então entendeu que Deus os estava castigando e resolveram obedecer e voltar para o deserto da Arábia. Nesta caminhada que durou 40 anos, morreu Miriam, irmã de Moises, e Arão, algum tempo depois de ter morrido Miriam, morreu em Petra. Eleazar, o filho mais velho de Arão, tornou-se seu sucessor como sumo sacerdote. Assim, eles derrotaram alguns povos do deserto, como os amorreus, o rei de Ogue, que se aliara aos amorreus e  os midianitas.

O povo também lutou contra os moabitas e Balaque, rei dos moabitas, era aliado dos midianitas e quando esses são derrotados, ele chama a Balaão, um profeta, para amaldiçoar ao povo israelita, dando em troca dinheiro e prometendo lhe dar uma casa cheia de ouro e prata.

Balaão foi repreendido por Deus e não pode amaldiçoar ao povo de Deus e a maldição a ser proferida foi transformada em benção para Israel.

Foram 4 as profecias de bênçãos, proferidas por Balão para Israel. A primeira, ele disse: “Como vou amaldiçoar  quem Deus não amaldiçoou? E como denunciarei a quem Deus não denunciou? Só falarei aquilo que Deus colocar na minha boca”.

Na segunda profecia ele disse: ”Deus não é homem para que minta e nem filho do homem para que se arrependa e porventura tendo Ele dito algo, não o fará? Ou havendo falado não o cumprirá? Contra Jacó não há encantamento e nem adivinhação contra Israel”.

Na terceira profecia ele disse: “ Fala aquele que ouve as palavras de Deus e que vê a visão do Todo Poderoso que diz quão formosas são as tendas de Jacó e as tuas moradas ó Israel. Benditos os que te abençoarem e malditos os que te amaldiçoarem”.

Na quarta profecia ele disse: “Fala aquele que ouve as palavras de Deus e diz que ele vê algo para dias distantes e que de Jacó procederá um cetro que ferirá os termos de Moabe e destruirá todos os filhos do orgulho. Quem viverá quando Deus fizer isso acontecer?”.

Depois da guerra contra Moabe, Moises, já bastante idoso, constituiu Josué seu sucessor como guia do povo hebreu e como comandante do exército, porque ele era temente a Deus e convivera de perto com Moises todo o tempo de sua vida, aprendendo com seu mestre a arte de comandar,

além de outros atributos mais necessários a um líder.

As tribos de Gade, de Ruben e meia tribo de Manassés, pediram a Moises que lhes desse a região dos amorreus, que era rica em pastagens. Moises achou que eles queriam ficar ali para evitarem a guerra contra os cananeus, que estavam além do Jordão. Contudo ele os concedeu a terra que pediram, confirmando isso na presença de Josué e Eleazar.

Apareceu o Senhor a Moises e pediu-lhe que subisse ao monte Abarim e de lá contemplasse a terra de Canaã que Deus tinha prometido aos filhos de Israel e disse que depois de Moises ver de longe a terra, Ele o levaria, como já tinha levado Arão, e não iria permitir que Moises entrasse na terra prometida também. Isso Deus fez como castigo, porque quando estavam no deserto de Sim, na contenda de Meribá, porque faltava água, Moises feriu a rocha por duas vezes com o cajado e não fez como Deus lhe dissera para fazer, que era para falar com a rocha.

Moises se humilha e reconhece que Deus é Senhor de tudo e pede então ao Senhor que não deixe o povo sem um líder para ir à frente deles, para eles não se desgarrarem como ovelhas perdidas sem pastor. Então o Senhor disse a Moises que tomasse a Josué, filho de Num, porque era homem cheio do Espírito de Deus e impusesse as mãos sobre ele e o apresentasse a Eleazar o sacerdote, e perante toda a congregação, comissionasse Josué para ser o líder deles no restante da jornada.

Quando estavam a 30 dias de completar os 40 anos desde a saída do Egito, Moises manda reunir todo o povo à margem do rio Jordão, e com a idade de 120 anos, se despede do povo hebreu, deixando orientações e exortações para eles não se esquecerem  do Deus que os protegia e guiava. Orienta-os a que, logo depois de terem conquistado Canaã, num lugar chamado Cidade Santa, eles deveriam construir um Templo, fixo, para adorar este Deus Criador e protetor deles. Orienta a Josué a levantar o exército e irem à guerra contra os cananeus, porque Deus os daria vitória.

Assim Moises, acompanhado de Josué e Eleazar, subiu ao monte Nebo, que está defronte a Jericó, e abraçando-os os despediu e logo depois morreu o grande libertador do povo hebreu.

Jamais homem algum se igualou a Moisés, em sabedoria e ponderação, como legislador e guia do povo, e que sempre escolheu soluções onde buscava a orientação de Deus. Nenhum outro teve tanta intimidade com Deus e isso se refletiu em todo o tempo que liderou o povo pelo deserto.

Passado o tempo de luto, Josué prepara então o exército para a empreitada de marchar para conquistar Canaã, tendo assim que atravessar o rio Jordão. Manda homens para explorar a terra, semelhante à primeira vez 40 anos atrás, e viram que tinham muralhas grandes e largas e que circundavam a cidade servindo de proteção. Eles se hospedaram numa estalagem e quando estavam para regressar com o relatório da situação, são atacados de emboscada e Raabe, uma prostituta, os esconde na sua casa e os salva da morte. Por tal atitude, eles prometem que ela seria poupada quando Israel invadisse Canaã.

Eles então voltaram e contaram a Josué o ocorrido e este se comprometeu que pouparia a vida de Raabe quando da conquista da cidade.

Para entrarem na cidade dos cananeus, que se chamava Jericó, era necessária a travessia do rio Jordão, o que constituía um grande problema para passar o exército, as armas e o povo.

Josué ora então a Deus e coloca na frente os sacerdotes e a arca da aliança com os levitas levando o tabernáculo e seus utensílios sagrados. Quando os sacerdotes tocam com os pés o rio, Deus opera um milagre em favor deles e torna as águas como as de um córrego pequeno, sem volume de água, de tal modo que eles passam sem molhar os pés.  Ao passarem todos para o outro lado, o rio voltou a encher e transbordar em suas margens, como antes.

Josué pegou então 12 pedras do leito do rio para fazer um altar de gratidão a Deus por ter operado milagrosamente em favor deles.

Os cananeus, vendo que os hebreus tinham sido vitoriosos em várias campanhas sob o comando de Josué, se entrincheiraram na cidade de Jericó que era protegida por muralhas intransponíveis. Contudo, sob a orientação de Deus, os sacerdotes acompanhados pelos anciãos, foram na frente levando a arca da aliança nos ombros, ao som de sete trombetas e rodearam a cidade durante seis dias. No sétimo dia, Josué reuniu todo o povo e o exército e disse-lhes que antes do por do sol, Deus lhes entregaria a cidade, sem necessidade deles fazerem guerra alguma, porque as muralhas iriam ruir às vistas do povo. Ordenou-lhes ainda que matassem todos os seus habitantes e seus animais e todo o despojo seria oferecido em gratidão a Deus.

Apenas Raabe e os seus parentes seriam poupados, conforme a promessa feita a ela quando foram fazer o reconhecimento da cidade. Assim então, rodearam a cidade e no sétimo dia, sete vezes o fizeram, levando a arca e ao som de trombetas. Assim as muralhas, com o barulho das trombetas, vieram ao chão, por milagre, e os hebreus entraram na cidade sem luta alguma. Puseram fogo na cidade e nas casas e nos campos.

Josué lançou uma maldição contra os que tentassem reconstruir a cidade e  predisse que quem tentasse erguer seus alicerces perderia o primogênito ao começar a obra, e perderia o filho mais moço quando terminasse a mesma. Todo o ouro, prata e cobre encontrado ficou para o tesouro da casa de Deus. Então, um homem chamado Acã, da tribo de Judá, achando que podia enganar a Deus, escondeu um objeto da arma do rei de Jericó em sua casa, não entregando aos sacerdotes para o tesouro da casa de Deus.

Dias depois da vitória em Jericó, Josué mandou três mil homens contra uma cidade chamada Aí, pequena e sem grandes guerreiros, mas os hebreus foram derrotados e Josué perguntou a Deus em oração, o que aconteceu para sofrerem aquela derrota. Jeová então revela a ele que havia pecado de desobediência entre o povo e por isso não foram vitoriosos na empreitada.

Ao revisar o povo sobre quem pecara e desobedecera, ele descobriu que foi Acã quem fizera o ato de esconder aquilo que deveria ter sido entregue. Acã foi punido com a morte.

Por 5 anos Josué foi conquistando todas as cidades cananeias até não ter mais nenhuma para conquistar. Enquanto isso ele levou o tabernáculo para o monte em Siló, até ser construído um templo fixo. Todas as vitórias e conquistas desse povo aconteceram porque Jeová estava com eles na medida e que eles obedeciam a Ele. Josué repartiu a  terra conquistada com as 9 tribos além da meia tribo de Manassés, que já as outras tribos (duas e meia ) tinham ficado antes do Jordão como eles mesmos escolheram e acordaram com  Moises, tendo Josué como testemunha na ocasião.

Por causa da sua idade já avançada, Josué então recomenda que cada um se esforce e tema ao Senhor, não deixando de exterminar o restante dos cananeus que ainda não tinham sido conquistados, para que os seus costumes e sua religião pudessem prevalecer na terra conquistada, conforme Deus orientara a Moisés. Josué ainda alertou-os para não abraçarem os costumes e religião desses povos pagãos, para que o Senhor não viesse a se apartar deles.

Josué morreu aos 110 anos, sendo 25 anos de sua vida como general e governante, orientando o povo depois da conquista de Jericó.

Os cananeus que não foram conquistados por Josué, após a sua morte, começaram a se unir e se fortalecer, para guerrearem contra os israelitas. Para isso elegeram um rei, mas foram derrotados pelas tribos de Judá e Simeão. Com tantos anos de guerra, os israelitas estavam cansados e almejaram desfrutar em paz o que já tinham conquistado.

Porém sua abundante riqueza acumulada os conduziu a uma vida de volúpia e começaram a não observar a disciplina que tinham e a não ouvir mais a voz de Deus e suas ordenanças.

Estavam acomodados recebendo tributos dos povos que ainda não tinham sido  conquistados. Começam pouco a pouco, a ficarem sem governo, sem leis e sem Deus. Os magistrados não eram obedecidos e os anciãos eram negligenciados. Cada um só pensava em lucro próprio e em fazer o que parecia bem aos seus próprios olhos.

No meio de tanta desordem, acabaram entrando em uma sangrenta guerra civil, quando os homens da tribo de Benjamin violentaram a mulher de um levita. Os israelitas se voltam contra a tribo de Benjamin para vingar o ultraje feito ao homem da mulher violentada, sendo que era ele da tribo de Judá.

 

Assim foram os israelitas enfraquecendo espiritual, moral e fisicamente, porque ao invés de irem trabalhar e servir a Deus, eles se entregaram aos vícios segundo seus desejos carnais, num relaxamento total em relação ao temor de Deus e aos Seus mandamentos. Jeová ao ver seu povo escolher seus próprios caminhos, praticando toda sorte de pecado e abominação, também se afastou deles, porque Ele não pode se relacionar com  todo o homem que decide permanecer no pecado de modo voluntário.

Enquanto eles foram fiéis a Deus, eles foram vencedores em relação aos seus inimigos, porém com a escolha de se afastarem Dele, não seguindo os conselhos de Josué, eles foram pouco a pouco perdendo as batalhas contra seus inimigos. À medida que iam perdendo batalhas, iam sendo subjugados pelos inimigos. Então oravam ao Senhor que se compadecia e levantava um guerreiro para livra-los e para comandar o exercito. E isso aconteceu por longos anos. A esse guerreiro escolhido por Deus, era dado o título de “juiz”. Quando estavam ganhando voltavam outra vez a pecar e se afastar dos caminhos santos.

Por quase 385 anos o povo israelita ficou neste ciclo de pecado, perda das batalhas, opressão pelos inimigos, arrependimento, levantamento de um juiz,  vencedor sobre o inimigo, pecado de novo, etc.. Neste ciclo que durou todos esses anos, tiveram vários juízes que traziam o livramento para o povo, liderando-os contra seus exatores. Dentre esses os principais juízes foram:

Contra os assírios, eles padeceram por 8 anos e Deus levantou a Otniel, valente da tribo de Judá, que os liderou por 40 anos;

Contra os moabitas, eles padeceram por 18 anos, Deus levantou a Eúde, da tribo de Benjamin, que os governou por 80 anos;

Contra os cananeus, padeceram por 20 anos, e Baraque, auxiliado por Débora, profetiza, se tornou o libertador e juiz deles, por 40 anos;

Contra os midianitas, auxiliados pelos amalequitas e árabes, foram oprimidos por 7 anos, roubando suas colheitas, e Deus levantou Gideão, da tribo de Manassés para ser o libertador. Gideão ao ser visitado por um anjo enviado por Jeová, e lhe dá a missão de libertar seu povo dos midianitas, atacando-os com 3000 valentes, cada um com um vaso com uma tocha acesa na mão esquerda e na direita, uma trombeta. Desse modo inédito, Deus opera o livramento e por 40 anos Gideão liderou o povo, até a sua morte;

Jair, da tribo de Manassés, foi levantado juiz para liderar o povo por 23 anos contra Abimeleque;

Contra os amonitas e os filisteus, Deus levantou a Jefté para livrá-los, que por 18 anos os estavam oprimindo…….( a continuar)

 

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RACCHEL VIEIRA MOTTA – EBD-IEBV
TRABALHO APRESENTADO NO CURSO DE "BACHAREL EM TEOLOGIA – FATEFÉ/CCM"

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