A HISTORIA DOS HEBREUS! – RESUMO DO LIVRO DE FLÁVIO JOSEFO – PARTE 5

A HISTORIA DOS HEBREUS! – RESUMO DO LIVRO DE FLÁVIO JOSEFO – PARTE 5

A HISTÓRIA DOS HEBREUS  

Resumo do Livro de Flávio Josefo – 1568 Páginas. – Parte 5 –(Trabalho apresentado no Curso de Bacharel em Teologia – Fatefé-SP – Nov/2017 – Bel. Racchel Vieira Motta).

 

( Continuação)….

Jefté liderou por 6 anos. Nesta guerra contra esses povos, depois de Jefté foi Ibsã, que os liderou por 7 anos; depois Elom de Zebulom que os liderou por 6 anos; depois Abdom, de Efraim.

Contra os filisteus, depois de Abdom, eles ficaram 40 anos subjugados, até ser levantado Sansão, da tribo de Dã, escolhido por Deus para ser nazireu, consagrado ao Senhor, e usado para libertá-los.

Sansão, que brincou com o chamado de Deus para ele, viu-se enganado por sua mulher Dalila, que cortou seus cabelos, fazendo-o perder sua força que Deus o dotara. Ele não soube se preservar para Deus e contou o segredo da sua força para sua mulher, que tão logo soube que residia nos cabelos longos, tratou de cortá-los enquanto dormia  e o entregou nas mãos dos filisteus, porque eram da sua raça. Uma vez sem força, foi presa fácil nas mãos dos filisteus, que o prenderam, o cegaram e o levaram para o templo de Dagom, deus pagão deles.

Ainda nessa situação, Sansão ora a Deus, se arrepende por não ter honrado o seu chamado e pede que Deus ainda o use uma única vez, trazendo sua força excepcional de volta. Deus então o faz recuperar as forças e durante uma festa no templo, ele derruba suas colunas e mata um número imenso de filisteus, juntamente com os chefes e príncipes deles. Sansão liderou por 20 anos ao povo israelita e nenhum se comparou a ele pela coragem e força.

Depois de Sansão falaremos de Eli juiz e sacerdote e de Samuel, que além de sacerdote foi o último juiz de Israel, sendo este ultimo muito usado por Deus na condução do povo, pela intimidade que gozava com o Senhor.

Eli era sumo sacerdote, começou a governar depois da morte de Sansão. Em seu tempo, houve uma viúva, chamada Noemi, que era casada com Elimeleque, da tribo de Judá, cidade de Belém, que com sua nora Rute, foi trabalhar nos campos de um feitor chamado Boaz. Rute era viúva e era moabita. Tinha se casado com um dos filhos de Noemi. Rute então fica em companhia de Noemi quando esta decide voltar para Belém de Judá, que era a terra dos parentes do esposo de Noemi. Chegaram ao princípio da sega da cevada.

Noemi tinha um parente de seu esposo, homem rico e poderoso, chamado Boaz e foi em seus campos que Rute foi trabalhar na sega das respigas de cevada. Boaz, certo dia, ao ver Rute trabalhando em seu campo, se afeiçoou a ela e procurou saber quem era. Foi então que soube da história de Rute e da sua parenta Noemi, que era nora de Rute. Fica admirado do caráter de Rute, por não ter abandonado sua nora Noemi e ter estado junto a ela e ter sido a companheira fiel dela, deixando seu próprio povo e vindo com Noemi para Belém.

Boaz então se desposou de Rute. Tiveram um filho chamado Obede e este foi o pai de Jessé e este foi o pai do grande rei Davi, cujos descendentes, até a 20ª. Geração, reinaram na nação judaica.

Voltando a Eli, seus filhos não eram obedientes a Deus e eles profanaram o que era sagrado no que concernia ao Templo e por isso Deus decidiu que eles não iriam suceder ao seu pai.

Neste tempo, Elcana, da tribo de Efraim, tinha uma esposa chamada Ana  e outra chamada Penina. Ana era estéril e desejava muito ter filhos e um dia ela entra no Templo, aflita e chorando muito, fez um voto a Deus, de que se Ele lhe desse um filho, este seria consagrado a Ele. Nessa hora, Eli que estava no tabernáculo, vê a mulher e pergunta por que chorava. Ela contou o seu desejo e voto e ele profetiza que ela teria um filho.

Tempo depois, ela realmente teve um menino e o chamou Samuel, que significa “ouvido por Deus”. Depois de algum tempo, ela vai a Siló, lugar do Tabernáculo, para cumprir seu voto e entregar o seu filho nas mãos de Eli, o sumo sacerdote. Samuel passou então a morar no Templo juntamente com a família de Eli.

Quando Samuel tinha 12 anos, ele teve uma experiência com Deus que se apresenta a ele e Samuel logo o identificou como sendo a voz de Deus a quem ele servia.

Deus então fala para ele sobre tudo que iria acontecer brevemente, quanto aos filhos de Eli, que morreriam os dois no mesmo dia e que o sumo sacerdócio passaria para a família de Eleazar, porque Deus tinha rejeitado a Eli. Samuel guardou tudo no coração.

Passado algum tempo, os filisteus se armaram contra os israelitas e avançaram contra sua cidade. Os guerreiros israelitas resolveram pedir ao sumo sacerdote que mandasse a arca da aliança para ir à frente deles na batalha contra os filisteus e Eli, já sem discernimento espiritual, permite. Não entenderam que o poder da arca, Deus, já tinha se afastado deles e acabaram perdendo a batalha.

Nesta batalha, os filhos de Eli, que acompanhavam a arca, morreram e ela foi capturada pelos inimigos. Cerca de trinta mil israelitas foram mortos nesta batalha. Foi total a derrota dos israelitas e o símbolo da presença de Deus, a arca, caiu em poder dos filisteus.

Quando Eli soube da morte dos seus filhos e que a arca fora tomada pelos inimigos, ficou tão abalado que teve uma queda, pois era idoso, e com 98 anos, veio a falecer. Tudo aconteceu como Deus revelara a Samuel.

A arca, agora que estava em poder dos filisteus, foi colocada no templo do deus pagão deles, Dagom, que tinha sido erigido novamente, depois que fora destruído por Sansão. A presença da arca nesse templo trouxe para eles grande perturbação e males. Enfermidades e pestes eles foram sofrendo, pragas de ratos contaminavam seus víveres, e outros tantos males foram acontecendo a eles até que entenderam que o motivo dessas pragas era a presença da arca da aliança no templo pagão. Então resolveram mandar a arca, de cidade em cidade filistéia e em cada uma delas acontecia a mesma coisa dos males que recaíam sobre o povo da cidade, como castigo pelo sacrilégio cometido.

Deliberaram então ser sensato desfazer-se da arca e a devolveram aos israelitas. Por 20 anos ela então fica na casa de Abinadabe, até que o rei Davi, quando anos depois foi levantado rei, sendo orientado por Samuel, resolveu trazer a arca para Jerusalém, tirando-a da casa de Abinadabe, como veremos adiante.

Samuel, já idoso, atende aos anseios dos israelitas, quanto a terem um rei, porque eles queriam ser como os povos vizinhos que tinham rei. Isto trouxe grande aflição para Samuel, porque entendia que Deus era o rei de Israel. Deus então o consola e pede que ele vá ungir a Saul, da tribo de Benjamin, como rei, conforme o desejo dos israelitas, iniciando assim a era dos reis e encerrando a era dos juízes em Israel.

Saul era da tribo de Benjamin, filho de Quis, homem forte e valoroso. Saul era belo e não havia outro igual em todo o Israel. Cuidava das jumentas de seu pai e um dia, tendo-se extraviados umas jumentas, Saul vai procurar Samuel, o profeta de Deus, conforme tinham aconselhado a ele, para que o profeta lhe dissesse o caminho a seguir para reaver as jumentas perdidas.

Antes de Saul chegar até Samuel, Deus lhe revelou que ele deveria ungir a Saul como rei, uma vez que essa era a vontade do povo hebreu. Samuel então leva Saul para sua casa, onde preparou um banquete e deu a Saul o lugar principal, com honras.

Saul ficou confuso com aquilo, por se achar o menor dentre os seus, mas aceitou a honraria feita por Samuel. No dia seguinte, Saul já sabendo por Samuel que as jumentas de seu pai já tinham sido encontradas, foi se despedir de Samuel, e ouve dele a ordem que Deus lhe dera para ungir a Saul, príncipe sobre o seu povo.

Aconselhou-o a ir a Gilgal, quando já estivesse coroado, e ali esperasse Samuel chegar para se oferecer holocaustos e ofertas pacíficas ao Senhor. Orientou ainda que Saul ali esperasse por 7 dias até que Samuel chegasse e desse a orientação que Deus tinha para ele.

Depois disso Samuel conclama o povo e diz que Saul era o seu rei e o povo muito se alegrou, não sabendo que o Senhor se entristecera com este desejo deles, porque na realidade não consideravam Yavé seu Rei.

Saul venceu os amonitas, quando estes sitiaram Jabes-Gileade e com uma junta de bois ele destruiu os inimigos, porque o Senhor era com ele e o abençoara. A princípio Saul era manso e humilde, mas foi se ensoberbecendo, e já tinha 2 anos de reinado quando ele teve que enfrentar os filisteus, mas antes ele foi a Gilgal para cumprir uma ordenança que Samuel lhe falara, quando o ungiu rei.

Saul, enquanto reinava, foi se tornando cada vez mais orgulhoso e chegou a ponto de, desobedecendo a uma ordem de Samuel, sacrificou holocausto ao Senhor, antes de ir para a guerra, porque não soube esperar por Samuel, que tinha a autoridade para fazer o sacrifício, como sacerdote.

Em varias outras ocasiões, Saul desobedeceu a Deus até que então, Samuel anuncia a Saul que o seu reino seria tomado dele e dado a outro que seria temente a Deus. Samuel foi para Belém e lá, por orientação do Senhor, consagra a Davi, ainda bem moço  e filho de Jessé,  como o sucessor de Saul.

Deus, depois de ter rejeitado a Saul pelos seus erros, embora ele tenha ficado como rei até morrer, manda Samuel ir a casa de Jessé, em Belém, porque dentre um de seus filhos Ele iria escolher um para suceder a Saul. Samuel argumenta com Deus que ele corria perigo se Saul soubesse, mas Deus disse que estava protegendo-o. Deus ainda falou a Samuel que ele não deveria julgar pela aparência, porém, segundo o olhar de Deus, que olha o coração.

Chegando à casa de Jessé, vieram os 7 filhos desse e o Senhor ia rejeitando um a um. Até que sem mais filhos aparentes, Samuel pergunta a Jessé se não havia nenhum outro, e Jessé disse que tinha outro filho, o menor, que apascentava suas ovelhas. Samuel pediu para trazer o moço e quando Davi, que era o menor, entra o Senhor revelou a Samuel que era este o seu escolhido a quem Samuel deveria ungir rei, porque o Espírito do Senhor já estava com Davi e não se apartaria mais dele.

Davi foi ungido rei sem que Saul soubesse, porque o Senhor já tinha se apartado dele e não tinha escolhido mais a sua descendência para ser rei em Israel.

Com o coração endurecido, Saul foi dando brechas em sua vida e acabou sendo visitado por um espírito maligno que o atormentava incessantemente. Somente em Davi, que passou a morar no palácio, e não mais na casa de seu pai, ele encontrava libertação do mal, ao ser tocada a harpa que Davi tangia.

Certo tempo depois, os filisteus voltaram a atacar os israelitas e eles contavam com um gigante, Golias, que desafiava o exercito de Israel para combater contra ele.

Davi, ao saber pelos irmãos desse desafio, se apresenta a Saul para combater o gigante, porque ele sabia que podia contar com a ajuda de Deus, por ser ele um homem temente e que buscava agir de acordo com a vontade de Jeová.

Davi também soube que Saul prometera a quem conseguisse matar Golias, dar grandes riquezas e ainda daria a mão da sua filha em casamento. Ele prometeu ainda a liberação de impostos da casa do pai do guerreiro que fizesse tal feito. Davi considerou essa uma oportunidade de crescer e entendendo que ele poderia enfrentar essa batalha, com a ajuda de Deus, como ele fizera antes, quando lutou com um urso e com um leão, matando-os.

Davi tinha certeza que seu Deus pelejaria com ele, e confiou em seu Deus que ele poderia matar o gigante que zombava do exercito de Israel e do Deus de Israel, porque esse gigante Golias era filisteu e pagão.

Assim ele confronta Golias e “em nome do Senhor dos Exércitos” ele vence a luta com este gigante, abatendo-o com uma pedra lançada por uma funda, que alcançou a sua testa, entre os olhos, único lugar vulnerável que o capacete não cobria. Ao ver Golias cair no chão, Davi decepa sua cabeça e vence aquele que desafiava o exercito de Israel.

Davi ficou famoso com seus feitos como soldado, por sua valentia e coragem e por isso começou a despertar o ciúme em Saul. Davi casou-se com uma filha de Saul, Milcal, e foi crescendo em graça aos olhos do povo e de Deus.

Com o passar do tempo, o ciúme de Saul transformou-se em ódio a Davi e chegou a tal ponto que decidiu mata-lo. Jônatas, filho de Saul, conhecendo a intenção do pai, aconselhou a Davi a fugir do palácio. Por várias vezes Saul tentou matar a Davi, mas não teve sucesso. Depois de ter fugido, Davi  reuniu homens que o acompanhavam e foram leais a ele. Nessa época ele conheceu a Abigail e se casou com ela. 

Dos filhos de Saul, Jônatas foi muito leal a Davi, porque viu que seu pai estava atormentado por um espírito mau e uma grande amizade surgiu entre eles. Jônatas, por várias vezes livrou Davi das mãos de Saul. Numa dessas tentativas de matar Davi, este foge para Gate, onde se escondeu numa caverna chamada Adulão. Ali Davi conheceu uns homens que, depois de terem sido treinados, mais tarde se tornaram seus valentes guerreiros.

Davi teve várias oportunidades de matar Saul, mas nunca lançou mão de tal recurso para se livrar de seu inimigo e de subir ao trono, porque sabia que o Senhor no momento certo o faria.

Saul continuava lutando com os filisteus e vendo que Deus tinha se afastado dele, resolveu um dia consultar uma médium para saber o que fazer numa batalha, e se teria a vitória contra os inimigos.  Foi mais um passo dele rumo ao fundo do poço em sua vida, porque ele bem sabia que Deus abominava a consulta aos mortos e todos os que praticavam a necromancia e feitiçaria.

Assim Saul perde a batalha e fica ferido, e os seus filhos que estavam na guerra, e dentre eles, Jônatas, morrem na luta. Saul então, para não ser presa do inimigo, se arremete contra sua espada e acaba se matando.

Davi, que estava refugiado em Gate, por causa da perseguição contra sua vida que Saul promovia, quando soube da morte de Saul e de Jônatas, que era seu grande amigo, rasgou suas vestes em sinal de luto e de pranto.

Depois da morte de Saul, Davi volta a Hebrom com sua família e é aclamado rei pela tribo e Judá e ali se estabelece com a sua corte. Nesta altura, as demais tribos seguiram a Isbosete, o filho de Saul que não morreu na guerra e houve por anos guerra entre os que seguiam a Davi e os que seguiam a Isbosete e a seu general, valente guerreiro chamado Abner.

Abner, por causa de uma divergência com Isbosete, passa para ao lado de Davi e obriga as demais tribos a segui-lo. E assim, todas as tribos reconhecem a Davi como rei e com o reino unido, Davi passa a reinar sobre eles, formando um grande exercito.

Davi resolveu marchar contra os jebuseus e toma a acidade deles, uma cidade fortificada por muralhas e a chama de Jerusalém, para onde mais tarde a arca veio a ser trazida, da casa de Abinadabe, como falamos anteriormente.

Depois de conquistar Jerusalém, ele expulsa os jebuseus e reedifica suas ruas, embelezando-a, para ali estabelecer sua corte e seu palácio, deixando Hebrom para trás.

Depois que ajuntou os seus seguidores e formou um exercito de 3000 homens, Davi partiu para onde estava a arca, na casa de Abinadabe e seguindo o conselho de seus homens, fizeram um carro de bois novo para trazerem a arca. Colocaram a mesma sobre o carro e os filhos de Abinadabe guiavam o carro. Chegaram a um outeiro, os bois tropeçaram e para a arca não cair, um dos filhos de Abinadabe foi segurar a arca e caiu fulminado.

Davi muito se entristeceu e não levou a arca para Jerusalém, mas a deixou na casa de Obede-Edom que era perto da onde estavam.

Por 3 meses a arca esteve lá e Obede-Edom muito prosperou, porque ele sabia o valor e zelo que tinha esta arca para Deus.

Depois de 3 meses, Davi entendeu que tinha feito a coisa certa mas da maneira errada, pegando conselho com seus homens. E orou ao Senhor que lhe disse como fazer a coisa certa da maneira certa. Chamou os levitas para carregarem a arca, que a trouxeram nos ombros, da casa de Obede-Edom até Jerusalém, onde a colocaram no templo.

Foi com grande alegria que Davi e todo o povo acompanhavam a chegada da arca, e dançavam e ao som de trombetas eles se rejubilavam. Finalmente a arca chega a Jerusalém, e é colocada num templo até que o grande Templo que Salomão, filho de Davi, mais tarde construiria, fosse erguido.

Uma vez estabelecido em Jerusalém, e a arca de volta, colocada em um tabernáculo que ele construiu para ela, o povo muito se alegrou e muito jubilou. Davi, certo dia, ao contemplar o tabernáculo onde estava a arca, resolveu fazer um templo fixo, magnífico para coloca-la, mas Deus não o permitiu construir e disse-lhe em profecia que seu filho, anos depois, é quem iria construir esse templo.

Varias incursões militares contra os povos ao redor fez Davi,  e por isso o seu reino se expandiu enormemente. Tornou-se então muito famoso e temido pelos povos da época.

Certa feita, durante uma batalha contra os amonitas, Davi, não foi à  guerra como era seu costume, e no seu palácio, ao passear pelo alpendre, viu uma mulher, Bate-Seba e se apaixonou por ela. Ela era casada com Urias, escudeiro de Davi, e que estava na guerra. Davi a engravida e para ela não ser apedrejada, Davi manda seu general colocar Urias na linha de frente na batalha, que o levaria á morte, e assim encobrir seu pecado de adultério, casando-se com Bate-Seba.

Tal aconteceu e Urias morreu na batalha. Davi se casou com a mulher dele, Bate-Seba e esta deu à luz a um filho. Isso muito irou a Deus, porque Davi pecara duplamente. Então Natã, o profeta, é enviado por Deus para falar com Davi da sua transgressão e, por conseguinte, da sua condenação, onde o fruto desse pecado, o filho, iria morrer, bem como  próprio Davi, como exigia a lei.

Natã entra na presença de Davi, e lhe conta uma história cujos personagens tinham o mesmo comportamento que Davi teve com Urias, e ele sem desconfiar de nada, disse que daria uma sentença de morte a este homem vil. Natã então diz a ele que este personagem era ele mesmo e que Deus estava muito irado com ele, pelo seu procedimento, matando Urias à espada e coabitando com sua mulher.

Natã ainda disse mais da parte de Deus, que a espada jamais se apartaria da casa de Davi e o mal se instalaria na sua família, dividindo seus filhos entre si e entre ele próprio.

 Isso se cumpriu literalmente, algum tempo depois, onde aconteceu que Amnom, filho de Davi, comete incesto com Tamar, sua meia irmã; Absalão ao saber disso mata Amnom e foge para Gesur porque Davi queria mata-lo. Absalão se rebela contra Davi e faz guerra a ele e para não lutar contra o filho ele foge de Jerusalém. Absalão então toma a cidade, faz uma tenda no meio da praça e ali abusa das mulheres e concubinas de seu pai Davi. Nesta batalha dos homens de Davi contra os de Absalão, um dos valentes de Davi, chamado Joabe, mata Absalão.

Mas voltando a Natã com Davi, ao ouvir tudo o que o profeta lhe dissera, Davi quebrantou-se e chorou muito amargamente diante de Deus, em arrependimento. Reconheceu seu pecado e o confessou a Deus, pois era homem temente a Ele, e sofreu muito por ter falhado com o seu Deus que tanto ele amava. Ele teve total noção de quanto tinha magoado e entristecido ao seu Deus, a quem o ajudara a conquistar toda a fama e glória até então obtida. Nesta agonia, ele escreve muitos salmos que declaravam seu arrependimento e seu reconhecimento de que errara e que ferira os princípios eternos que tanto ele prezava.

Um salmo que marcou este episódio e mostra seu arrependimento, diz:

“Compadece-te de mim Ó Deus e segundo a tua benignidade apaga as minhas transgressões, sim, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões e o meu pecado está diante de mim. Contra ti, somente contra ti pequei e fiz o que é mau diante dos teus olhos, de sorte que és justificado em falares e inculpável em julgares. Eis que eu nasci em iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo, faz-me conhecer a sabedoria no secreto da minha alma. Purifica-me com hissopo e ficarei limpo, lava-me e ficarei mais alvo que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que se regozijem os ossos que esmagaste. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim, Ó Deus, um coração puro e renova em mim um espirito voluntário. Livra-me dos crimes de sangue, Deus da minha salvação e a minha língua cantará alegremente a tua justiça. Se eu oferecesse holocaustos tu não te deleitarias porque o sacrifício agradável a ti é o espirito quebrantado. Ao coração quebrantado e contrito, tu não desprezarás Ó Deus.”

Deus foi tocado pelo seu sincero arrependimento, deixa-o viver, recebendo seu perdão, mas não poupa a vida do filho que nascera. Depois disso Davi tem outro filho com Bate-Seba a quem chamou Salomão e que foi seu sucessor no trono.

Os demais filhos de Davi, com suas outras mulheres, trouxeram grande desgosto a ele, porque foi um pai ausente e fraco à medida que era um rei presente e forte.

 Como pai, Davi falhou e errou muito e isso lhe trouxe grandes problemas e grande desavença domestica. Um desses filhos, Amnom, violentou sua meia-irmã, Tamar, e por causa disso, Absalão, que era filho da mesma mãe de Tamar, vingou o ultraje, e acabou matando seu meio-irmão Amnom. Absalão teve então que fugir para Gesur e ficou foragido por 3 anos, por causa da ira que causou em Davi.

Passados esses anos, Davi concede o perdão a Absalão, e ele volta a Jerusalém, mas ainda ferido em seu coração, e inflamado pelo ódio ao seu pai, ele resolve tomar o trono e Davi e tramou como realizar este intento. Por 4 anos foi conquistando o povo com artimanhas e lisonjas. Fixou-se em Hebrom e é eleito rei em Hebrom pelo povo.

Davi, por uma necessidade moral de não lutar contra seu próprio filho, teve de sair de Jerusalém e então Absalão toma o palácio e abusa de todas as concubinas de seu pai, na frente de todo o povo, ultrajando a Davi que tinha saído de seu palácio.

Começou assim uma batalha entre Absalão e seus seguidores e Davi e seu exercito. Os homens que seguiam a Absalão eram muito numerosos. Nessa batalha, que foi muito sangrenta, Absalão morreu ferido por Joabe que era general de Davi, como já falamos.

Quando Davi soube, por Aimaaz, filho de Zadoque, como estava a batalha entre seus homens e os de Absalão, e que também seu filho Absalão tinha morrido na batalha, Davi ficou profundamente comovido e se pôs a chorar  e andando de um lado para outro dizia: “Absalão, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morresse por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”

E aquele dia, que apesar da vitória do exercito de Davi, a alegria da vitória se tornou em tristeza para todo o povo, porque eles viram o quanto o rei Davi estava abatido pela perda de seu filho. Juntaram Zadoque e Abiatar, sacerdotes, e todo o povo de Judá e foram pedir a Davi que voltasse para Jerusalém e para a sua casa, com todos os que haviam saído com o rei, quando fugiu de Absalão.

Davi voltou então e reconquistou Jerusalém e viveu anos de paz, mas pagou um preço muito alto por isso. Nesse tempo ele voltou a compor hinos e salmos em louvor e adoração a Deus, organizou os levitas em turnos e começou a levantar o material necessário para seu filho sucessor construir o templo onde seria colocada a arca da aliança.

Davi comprou uma eira de Araúna, e ali oferece um holocausto ao seu Deus Yavé.

Este local é o mesmo que anos antes, Abraão levou Isaque em sacrifício a Deus. Por revelação divina, Davi entendeu que este seria o lugar para a construção do Templo, que seu filho Salomão, viria anos depois a construir.

As últimas palavras de Davi foram feitas exaltando o seu Deus, dizendo que era o salmista de Israel, onde o Espirito do Senhor falava por ele. Nesta ocasião, A Rocha de Israel, o Deus de Israel lhe disse que quando um justo governa sobre os homens, quando ele governa no temor do Senhor, o povo rejubila e assim foi o reinado de Davi, com quem o Senhor estabeleceu um pacto eterno, onde seus descendentes ocupariam para sempre o trono de Judá.

Ele sabendo que seu tempo final se aproximava, chamou Salomão e deu-lhe instruções e conselhos para que guardasse as ordenanças do Senhor, andasse em seus caminhos e observasse os escritos na lei de Moises, para que ele pudesse prosperar em tudo que fizesse.

Davi reinou 40 anos sobre Israel e por 3 vezes foi ungido, sendo que a primeira vez foi na casa de seu pai, ainda moço; a segunda vez foi em Hebrom quando por 7 anos reinou na tribo de Judá que  o seguiu e a terceira vez foi em Jerusalém quando reinou por 33 anos, com todo o reino unido com todas as  suas tribos.

Salomão então é ungido seu sucessor e Davi o orienta para a construção do Templo, dando-lhe todo o material pessoal do tesouro particular de Davi, bem como  a planta baixa da estrutura do Templo. Além disso, deixa diversas outras instruções e conselhos para Salomão e depois morre, tendo reinado por 40 anos sobre seu povo. Nunca houve rei semelhante a Davi, em poder, glória e temor do Senhor, em toda a história do povo hebreu.

Salomão é então constituído rei, apesar do seu irmão Adonias querer usurpar seu lugar, por ser mais velho que Salomão. Este então ordena que Adonias seja morto bem como a Joabe, que se insurgira contra Salomão, apoiando a Adonias. Benaia tomou o lugar de Joabe e passou a ser o general do exercito de Salomão.

Em um sonho, Deus se revela a ele, e ele pede a Deus sabedoria para reinar. Deus concede-lhe o desejo e ainda o capacita com outras virtudes, riqueza e glória. Passa a julgar os atos do povo com retidão e justiça porque usava da sabedoria dada por Deus a ele. Ficou conhecido pelos reinos ao redor, pelos seus atos de justiça e por suas decisões ditas “salomônicas”. Ninguém foi tão sábio para julgar questões difíceis que se lhe apresentavam, como Salomão.

O reino de Salomão se expandiu muito e enriqueceu sobremodo, pelos impostos pagos pelo povo e o tributo que os sírios e outros povos dominados pagavam. Salomão compôs livros de cânticos e versos, parábolas e deu vários conselhos, escrevendo também muitos provérbios.

Salomão se empenhou na construção do Templo no quarto ano do seu reinado. Vários artífices de outros reinos vieram para Jerusalém para este fim. A planta tinha 3 partes: o átrio exterior, o Santo e o Santo dos Santos, onde foi colocada a arca da Aliança. Cedro, marfim, ouro, prata, bronze, pedras preciosas e outros materiais nobres foram aplicados no Templo. Vasos para o serviço sacerdotal, peças em ouro para ornarem seu interior, vestes sacerdotais, tudo foi confeccionado com o que havia de mais suntuoso e melhor.

Salomão levou 7 anos para realizar esta magnifica edificação. Era algo inigualável em grandeza e beleza. Quando acabou toda a obra, Salomão ora a Deus e  faz uma cerimônia de consagração do Templo, se prostrando em adoração a Deus.

E Salomão se colocou diante do altar do Senhor e prostrado orou ao Senhor dizendo:

“Ó Senhor, Deus  de Israel, não há nem no céu nem na terra Deus semelhante a ti, que guardas o pacto e a beneficência para com os teus servos, que andam perante ti, de todo o coração. Eis que o céu dos céus não pode te conter, quanto menos esta casa que tenho te edificado! Contudo atenta a oração e a súplica do teu servo para ouvires o clamor e a oração que faço diante de ti para que dia e noite estejam os teus olhos abertos para esta casa, onde disseste que porias o teu nome, para ouvires a oração que o teu povo Israel, fizer neste lugar. Ouve as súplicas do teu servo e do teu povo, que se fizerem neste lugar, sim ouve, do lugar da tua habitação, no céu, e ao ouvires, perdoa. Se alguém pecar contra o próximo e lhe for exigido que jure e ele jurar perante teu altar, nesta casa, ouve então do céu, age e julga aos teus servos , pagando ao culpado e fazendo recair sobre ele o seu proceder. Justifica o reto retribuindo-lhe segundo a sua retidão Senhor! Qualquer oração e súplica que um servo seu fizer, reconhecendo cada um o seu erro, ouve então do céu, lugar da tua habitação e perdoa e dá a cada um conforme os seus caminhos, porque conheces bem o coração dos filhos dos homens e ao que pecar contra ti, mas se arrepender de todo o coração. Ouve então do céu, lugar da tua habitação, a oração e súplica e defende a causa e perdoa aquele que houver pecado contra ti. Agora Ó Deus, estejam os teus olhos abertos e os teus ouvidos atentos à oração que se fizer neste lugar!”

Tendo Salomão acabado de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios que ele oferecia a Deus e a glória do Senhor encheu a casa.

A presença de Deus foi sentida de modo visível e todos os presentes não conseguiram ficar de pé, tamanha foi a presença do Deus invisível.

Depois Salomão construiu um palácio real e ao lado uma casa para a rainha e suas concubinas. Reedificou os muros de Jerusalém e os fortificou ainda mais, acrescentando grandes torres e bastiões.

Assim que Salomão acabou a casa do Senhor e a casa do rei e todo o projeto dados por seu pai foi concluído com êxito, então o Senhor apareceu de noite a Salomão e lhe disse que ouviu a oração dele e disse mais o Senhor:

“Se o meu povo que se chama pelo meu Nome, se humilhar e orar e buscar a minha face e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu e perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra e agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar, pois escolhi e consagrei esta casa, para que nela esteja o meu nome para sempre e nela estarão fixos os meus olhos e o meu coração perpetuamente.”

A fama deste poderoso rei difundiu-se pelo mundo e reinos e muitos vinham para se certificar dessa grandeza e manifestavam a estima que tinham por ele, trazendo presentes caríssimos, vasos de ouro, vestidos de púrpura, especiarias, cavalos, carros e outros presentes mais.

Infelizmente Salomão não perseverou no temor do Senhor até o fim. Em sua velhice, abandonou os costumes de seu pai e o temor do Senhor, deixando-se levar pelos relacionamentos amorosos com mulheres estrangeiras, além das suas concubinas. Para agradar suas mulheres, levantou altares estranhos aos deuses delas, e os adorou também, desprezando os mandamentos de seus pais dados por Deus. Teve 700 mulheres e 300 concubinas. Sua paixão desenfreada tornou-o escravo delas.

A sabedoria dada por Deus a Salomão, já não se aplicava mais em sua vida particular. Quanto mais ele envelhecia mais se enfraquecia e se afastava do seu Deus Yavé, entregando-se a cerimônias pagãs. Deus se ira com ele, mas por amor a Davi seu pai, o deixa reinar durante o resto de seus dias de vida.

 Sofreu Salomão uma guerra por parte de seu súdito, Jeroboão, que não se conformou com seu estilo de vida e se rebelou. Jeroboão, nesta guerra contra Salomão, vai ao encontro do profeta Acas, que lhe mostra seu manto cortado em 12 pedaços, como se fosse o reino de Salomão, e da parte de Deus, profetiza que 10 pedaços seriam tomados por Jeroboão e ele seria ordenado rei sobre esta parte do reino, a saber, 10 tribos. Isto seria o castigo de Deus pela conduta sacrílega de Salomão. As outras 2 tribos, ficariam para o filho de Salomão, Roboão, por consideração a Davi, em promessa que Deus lhe fizera.

Assim, Jeroboão foi feito rei de 10 tribos, assim que Salomão morreu. Salomão reinou 40 anos e morreu aos 94 anos de idade, sendo enterrado em Jerusalém. Apesar de no fim de seus dias ter se desviado dos caminhos do Senhor com suas mulheres estrangeiras e adorando seus deuses pagãos, Salomão foi rico, sábio e temido, enquanto perseverou em obedecer a Deus.

Roboão, filho de Salomão  e de Naamá, amonita, o sucedeu ficando com as 2 tribos de Judá e Benjamim. As outras 10 tribos se separaram para sempre das 2 tribos, e seguiram a Jeroboão, conforme o Senhor dissera através de Acas. Desde então, as 2 tribos formaram o reino do Sul, com capital em Jerusalém, e as outras 10 tribos formaram o reino do Norte, com capital em Samaria, cumprindo-se o que Deus falara a Salomão, quando ele pecou com suas mulheres estrangeiras e com sua adoração a seus deuses.

Os 2 reinos, agora divididos, passaram então a ter seus próprios reis e leis.

No reino do Norte, Jeroboão então constrói um palácio em Siquém, onde estabelece o seu reino e com a aproximação da festa dos Tabernáculos, para seus súditos não irem para Jerusalém, ele manda construir 2 templos: um em Betel e outro em Dã e ele mesmo se constituiu sacerdote, levando o seu povo que o seguia a abandonar a lei e as ordenanças de Deus.

No reino do Sul, Roboão também cresceu e prosperou e logo se esqueceu de Deus, levando uma vida desregrada e sem temor a Jeová.

Aproveitando essa fraqueza de Roboão, Sisaque, rei do Egito, sitia Jerusalém e Roboão se entrega de modo covarde, sem lutar pelo seu povo e pela cidade santa. Sisaque saqueia o Templo e leva os tesouros deixados por Salomão para o Egito.

Morreu Roboão e seu filho Abião, reina em seu lugar.

Enquanto isso Jeroboão reuniu um exercito e partiu contra Abião. Este orou ao Senhor e colocou sua confiança em Deus que daria a vitória a ele, e assim venceu a guerra contra Jeroboão.

Assim descreveremos daqui para frente os feitos e os reis destes 2 reinos separadamente, porque nunca mais eles se reuniram num só outra vez.

Abião morreu e em seu lugar reinou Asa seu filho.

Jeroboão também morreu e reinou Nadabe seu filho em seu lugar. Baasa mata Nadabe à traição e toma o reino.

Asa, rei de Judá, temia a Deus e suas ações foram orientadas por este princípio. Baniu os vícios e as desordens, bem como a corrupção que o povo praticava. As suas lutas e conquistas foram creditadas a Deus, porque ele sempre entendeu que era a mão do Senhor que lutava em seu favor e assim saiu vitorioso nas batalhas. ( Continua)….

 

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RACCHEL VIEIRA MOTTA – EBD-IEBV
TRABALHO APRESENTADO NO CURSO DE "BACHAREL EM TEOLOGIA – FATEFÉ/CCM"

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