A Origem da Religião – Parte 1 – Pr. Pedro Motta

A Origem da Religião – Parte 1 – Pr. Pedro Motta

INTRODUÇÃO

Na Bíblia, no livro Atos dos Apóstolos, encontramos um resumo da narrativa do início da Igreja de Jesus Cristo e seu crescimento posterior aqui na terra.
Neste Livro está evidenciado, com muita clareza as principais características apresentadas pelos primeiros discípulos de Jesus: Santidade, destemor, ousadia, sofrimento, oração contínua, fraternidade, união e comunhão com Cristo e com os irmãos.
Se fizermos uma rápida comparação com as Igrejas Evangélicas Neopentecostais atuais, podemos observar quanta coisa básica foi modificada e quantas novidades foram acrescentadas, tornando irreconhecível a Sã Doutrina e o Evangelho ensinado por Jesus e anunciado pelos discípulos no início da Igreja de Cristo.
Muitas pessoas têm frequentado as Igrejas Evangélicas Neopentecostais em busca de benefícios materiais exclusivamente, esquecendo o Projeto de Salvação e vida eterna pelo qual o Senhor Jesus foi crucificado.
Essas pessoas, na grande maioria, não dão a mínima importância para a Instituição Igreja e nem para o sacrifício salvador de Cristo. A Igreja local tornou-se apenas um supermercado ou um entreposto onde “comprar sua benção”.
Ela é usada apenas como um local para comercializar e “cobrar” as bênçãos de Deus. Muitas vezes, recebem essa benção pela infinita misericórdia e graça do Senhor Jesus e ato contínuo, desaparecem.
Não existe nenhuma ligação ou envolvimento com a Instituição. Não buscam raízes com a Igreja e nem com Cristo.
Além disso, no afã de “encher a Igreja” e buscar novos membros, passaram a evidenciar um afrouxamento dos princípios cristãos. O relativismo passa a ser tolerado pela liderança. O conceito de pecado torna-se mais elástico, vago e menos cobrado. Essa é a triste realidade: Os Pastores envolvidos tornaram-se os verdadeiros “vendilhões” no Templo.
A mensagem pregada atualmente, com raríssimas exceções, tem como objetivo a vida para esta vida, a busca desenfreada pelos bens materiais e não a salvação e vida eterna.
Esqueceram as lutas, sofrimentos e perseguições por que passou a Igreja Primitiva, para que hoje tivéssemos a liberdade de cultuar e louvar ao Senhor Deus. Quantos foram presos, queimados, apedrejados e mortos simplesmente porque deram testemunhos de Jesus.
A Igreja Primitiva pregava que Jesus havia morrido na Cruz, depois ressuscitado, subiu ao céu e voltaria para buscar a Sua Igreja Fiel, baseada em Sua promessa.
Para isso, tornava-se necessário o arrependimento pelos pecados cometidos e a entrega total da vida de cada um a Ele, porque foi o único sacrificado na Cruz do Calvário em nosso lugar e deu a Sua vida por nós pecadores. Mensagem que é atual, eterna e verdadeira nos dias de hoje, sem mudar nada.
É sob este contexto que desejamos apresentar este trabalho de forma resumida, devido a grande profundidade e complexidade do assunto.
Para facilitarmos melhor o entendimento, vamos retroceder ao princípio de tudo para que possamos discutir didaticamente as bases primárias da religião de forma universal.

 

1 A ORIGEM DA RELIGIÃO

A palavra religião deriva do latim “religare”, verbo que significa estabelecer uma religação. Também significa realizar um culto interno ou externo a uma divindade, com interação e dependência entre o homem e essa divindade.
Gleiser (2011), afirma que “o ser humano é um animal acreditador”, e, essa habilidade em acreditar vai sempre exigir o complemento, “em quem?”.
Daí surgiu a necessidade de buscar acreditar em poderes superiores. Gleiser afirma ainda que: “somos incapazes de viver nossa vida sem acreditar na existência de algo maior do que nós”.
Assim, a religião fazia parte da vida das pessoas nos tempos antigos, como continua a fazer parte das nossas vidas na atualidade.
Sem dúvida, a religião tem agregado valores muito positivos para a humanidade, em todo o decorrer da sua existência.
O principal deles é a evolução moral. Sem esse código moral o homem viveria em plena selvageria, o que teria sido fatal para sua existência. O que difere o homem do animal irracional não é só a inteligência, mas também o comportamento moral que é transmitido pela religião.
Dessa forma, podemos afirmar que o homem necessita da religião para ter uma vida melhor no convívio com os seus semelhantes na sociedade e na natureza que o cerca.
Outro ponto muito importante diz respeito à origem do homem. Só uma mente com extrema inteligência superior poderia criar um ser tão complexo e completo, como o homem. Essa mente pertence ao Senhor Deus, que o criou à sua imagem e semelhança conforme nos relata a Bíblia, a Sua Palavra.
De acordo com Joiner (2004), tudo o que existe na natureza, terra e céus comprovam a existência de Deus.
Ainda segundo Joiner (2004), depois de criar o mundo e preenchê-lo com plantas e animais, Deus criou o homem que foi a joia da Sua Criação.
Ele conviveu com o Seu Criador no princípio e, mesmo afastado pela sua desobediência, ainda sente necessidade desse relacionamento anterior devido a sua carência íntima de religação ao Pai, criador de todas as coisas.
A história nos ensina que a origem da religião no mundo é, geralmente, atribuída ao Oriente antigo e foram classificadas em 03 categorias básicas e simplificadas: O Panteísmo, o politeísmo e o monoteísmo.

 

1.1 Panteísmo

Segundo Brunelli (2016), é a crença de que Deus é tudo e tudo é Deus, essa crença era comum nas culturas e civilizações antigas. Dessa forma, a natureza e os seus fenômenos seriam os deuses venerados e adorados, como os animais também. Pode ser considerada como a primeira religião que existiu. Não havia necessidade de templo ou lugar específico de adoração.

 

1.2 Politeísmo

Com a evolução da humanidade, houve também uma evolução do conceito de religião praticada na antiguidade. O panteísmo evoluiu para o politeísmo que é a adoração a inúmeros deuses. Vários povos na antiguidade como: Assíria, Babilônia, Egito, Grécia, Roma e os povos nórdicos veneravam deuses de vários tipos e com áreas de atuação variada, cada um com atributos de poder diferentes e, algumas vezes, específicos. De acordo com Brunelli (2016), o politeísmo está subdividido em quatro categorias básicas: religiões de integração, religiões de servidão, religiões de libertação e religiões de salvação. Todas adotam a crença em deuses diversos.

 

1.3 Monoteísmo

A crença e adoração a um único Deus é a estrutura principal da religião monoteística. Onde podemos citar a religião Judaica e a muçulmana. Com o credo em um único e exclusivo Deus. Essas duas religiões iniciaram com um único homem escolhido, cujo nome era Abraão, há 4000 anos. Com base na Bíblia, ele deu origem a dois povos, Israel e os Árabes. (cf Gênesis 17:20-21)
Do seu relacionamento com Yavé, o Deus de Israel, originou a estrutura básica do Judaísmo, a religião do povo Judeu. Sendo a Torah seu Livro Sagrado, contendo as leis e ordenanças que Yavé concedeu a Moisés e ao povo hebreu, que passou a ser o povo escolhido do Senhor Deus.
De acordo com Mock (2003), a religião muçulmana, ou o Islamismo, foi criada muito mais tarde, aproximadamente 600 anos após a morte de Jesus Cristo, por Maomé, um beduíno que era pastor de camelos e pertencia a uma tribo da Arábia. Por  algum tempo, naquela época, ele manteve contato com o Judaísmo e o Cristianismo.
Depois, baseado numa visão e revelação que afirmou ter vindo de Deus, começou a pregar e falar ao povo Árabe, se intitulando Profeta de Alá (Deus dos Árabes), o correspondente a Yavé na religião hebraica. O Alcorão é o livro sagrado dos muçulmanos, contendo as leis e orientações que Maomé afirmava ter recebido de Alá.
Vamos apresentar um pequeno resumo da Religião Hebraica, que é o Judaísmo, porque a partir dela originou-se o Cristianismo, que será a nossa próxima abordagem e de forma mais detalhada.

 

 

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Dr. Pedro Motta

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