A Origem do Cristianismo! Parte 3 – Pr. Pedro Motta

A Origem do Cristianismo! Parte 3 – Pr. Pedro Motta

O CRISTIANISMO – A Origem da Religião – Parte 3 -  Pr. Pedro Motta

(Tese apresentada no Curso Bacharel em Teologia – Fatefé-SP – 2017)

                        
1.5 Conceito de Trindade

O maior diferencial entre a religião judaica e o cristianismo, diz respeito à presença da Trindade na religião cristã. O Judeu adora e louva um único Deus. Aguarda até hoje a vinda do Messias que há de vir para eles, enviado por Yavé.
Uma entidade tri-unitária não existe no judaísmo. Apesar da palavra “Trindade” não está expressa na Bíblia, o seu conceito é uma das bases teológicas do cristianismo, porque as funções e prerrogativas divinas são atribuídas a três pessoas distintas: O Pai, O Filho e o Espírito Santo. Dessa forma, toda a teologia cristã está vinculada de forma direta ou indireta a aceitação dessa entidade triúna e real postulada na Bíblia.

Joiner (2004) afirma que no Antigo Testamento existem várias citações que atestam a existência de uma pluralidade divinal, dentro de um só Deus.

Em Gênesis, capítulo 1:1, o Senhor Deus é nomeado como Elohim, que é a forma plural de EL, o nome hebraico para Deus. Nesta primeira forma, Elohim, corresponderia a uma pluralidade, sendo conhecida como plural dual, uma característica especial da língua hebraica que transmitiria a ideia de “algo a mais” incluída nessa forma de escrita. O mesmo valeria para a palavra hebraica “shamaym” também contida neste mesmo versículo, que é traduzida por “céus”. Desse modo, a palavra Elohim simbolizaria a expressão da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

Ainda no capítulo 1 de Gênesis, vemos que as coisas foram criadas de uma forma imperativa: “Haja Luz e houve luz – Ajuntem-se as águas – Produza a terra, etc.” Todas as palavras são determinativas.
Entretanto, em Gênesis 1:26, vemos que houve uma grande mudança na expressão usada, diferente dos versículos anteriores, aqui lemos: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem,….” – Então vem a grande pergunta: Façamos: Quem? – A resposta, a Trindade. O Homem foi o único ser criado com a participação da Trindade, demonstrando o amor imensurável devotado pelo Pai a Sua criatura, a joia da coroa da Sua criação. Outras citações semelhantes sobre a Trindade podemos ver em Gênesis  11:7 e Isaias 6:8, etc.

No Novo Testamento temos inúmeras referencias a presença de Trindade. No Batismo de Jesus, onde o Filho foi batizado, desceu sobre Ele o Espírito Santo e o Pai confirmou e selou a relação. “Este o Meu Filho amado, em que Me comprazo” (Mateus 3: 16-17). O que foi repetido nos outros três Evangelhos.

Joiner (2004) cita outro exemplo da presença da Trindade dado pelo Apóstolo Paulo quando nos ensina a benção Apostólica: “A Graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós, Amém”. (2 Coríntios 13:13).

Assim, o Senhor Deus, o criador de todo o Universo e do homem, estabelece o conceito da Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, três pessoas contidas em uma única, mas com manifestações distintas.

1.6 O Cristianismo

O marco fundamental da origem do Cristianismo, refere-se ao nascimento de Jesus Cristo na cidade de Belém na região da Judéia, por volta do ano 4 a.C. Nascimento com uma característica sobrenatural.
Quando lemos a passagem Bíblica em Lucas 2: 26-38, na qual o anjo Gabriel anuncia a Maria, ainda virgem, que geraria um filho sem a participação de nenhum homem, ficamos sem poder compreender todo o mistério envolvido.
Mas, se meditarmos com atenção, observaremos como o poder maravilhoso do Senhor Deus foi usado na realização dessa obra divina.

“E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?”  (Lucas:1-34). Maria externava a sua incerteza sobre como seria realizada essa concepção, o que soa muito natural e humano para uma jovem virgem, inocente e pura. O anjo havia explicado, da melhor forma possível, que essa concepção seria de modo sobrenatural e não teria a participação da carne de nenhuma forma. Mas, como fazê-la entender tal mistério, sem a participação humana? Se esse entendimento continua difícil na atualidade, imaginem naquele tempo!

Fillion (2016, p.136) explica: “Ele falou da concepção do Messias como uma demonstração do poder do Altíssimo, pois o mistério da encarnação, a união do Verbo com a nossa natureza é uma obra incomparável, totalmente divina”.

Então, podemos chegar à conclusão que essa concepção, dentro da ótica médica e para ocorrer nas condições propostas pelo anjo, teria de ser a transferência de um embrião, com toda carga genética vindo da eternidade. Pois somente desse modo estaria atendido o pressuposto determinado pelo anjo, que o Messias nasceria sem nenhum pecado. Porque, se herdasse qualquer carga genética da mãe se contaminaria com o pecado herdado de Adão, o qual Maria já possuía por ser filha de pais humanos, Joaquim e Ana, segundo declara a Igreja Católica.

Apesar de essa Igreja tentar explicar de outra forma essa concepção, suas teses não apresentam nenhuma comprovação Bíblica.
Joiner (2004) deixa muito claro que a pretensa imaculada concepção de Maria, isto é, seu nascimento livre do pecado herdado de Adão não tem fundamento na Bíblia e não tem apoio na Tradição Católica.
Devemos destacar que o Senhor Jesus, ao assumir a forma humana através dessa  concepção e nascimento sobrenatural, possuía duas naturezas, a humana e  a divina.
Brunelli (2016) afirma que Jesus possuía todas as características de um ser humano comum; sentia dor, fome, sede, frio, choro, cansaço, o que externaria sua natureza humana. Com a Sua natureza divina, Jesus possuía as revelações diretamente da eternidade, demonstrada em várias passagens bíblicas, tais como: saber a condição conjugal da mulher samaritana; discernir as armadilhas dos fariseus e os pensamentos dos escribas quando lidava com o paralítico de Cafarnaum; avisar a Pedro sobre a traição; saber da morte de Lázaro, entre outras inúmeras situações reveladas. Além disso, realizou tudo o que Adão não pode realizar e resistiu a tudo o que o primeiro homem não pode resistir. Ele realizou e completou o projeto que o Pai havia confiado para a redenção do homem.

Jesus nasceu em uma família israelita humilde e simples, sendo o pai humano carpinteiro, profissão que exerceu por certo tempo na mocidade, antes de iniciar o seu Ministério.
Fillion (2016) nos ensina que, por volta dos 30 anos de idade desligou-se da família e começou exercer suas atividades Ministeriais e difundia seus ensinamentos principalmente aos discípulos, que foram escolhidos logo no inicio da sua jornada.  São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago e o seu irmão João, filhos Zebedeu; Filipe, Bartolomeu, Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu e Simão, o nacionalista e Judas Iscariotes, que traiu a Jesus. (cf Mateus 10:2-4).

Cristo anunciava ao povo em geral, que era chegado o Reino de Deus e todo homem deveria se arrepender e abandonar a prática do mal e do pecado. Logo chamou a atenção dos romanos e das autoridades religiosas da época, ainda, apegadas ao judaísmo. De acordo com os Evangelhos, Ele era o Messias esperado e profetizado no Antigo Testamento.

Aos discípulos procurava ensinar e transmitir todo o projeto que o Senhor Deus, Seu Pai, O confiara, desde a eternidade. Projeto esse para resgatar o homem do caminho do pecado e da perdição e transporta-lo ao caminho da salvação e vida eterna, que perdera lá no Éden, através da desobediência e queda do primeiro homem.  O que levou a perda da grande intimidade que desfrutava junto ao Pai, a de poder falar face a face com o Pai Celestial.

Esse projeto foi delineado pelo Senhor Deus após a queda do homem e citado por Ele na Bíblia, como está em Gênesis 3.15.

A Bíblia Sagrada constitui a base central e teológica do Cristianismo, contendo a Doutrina fundamental de uma crença monoteísta onde Deus é o Criador de todo o Universo e do homem. Ela aceita a ressurreição de Jesus e estabelece o conceito da Trindade.
Está dividida em duas partes: Antigo Testamento e o Novo Testamento. A primeira parte, escrita em hebraico, é igual aos livros contidos na Torah dos judeus.
No Velho Testamento estão narrados: a criação do mundo, do homem, a história dos Hebreus, as tradições judaicas, as leis e ordenanças dadas a Moisés pelo Senhor Deus, os profetas, os juízos sobre o povo rebelde e as principais profecias sobre a vinda do Messias e dos tempos do fim.

O Novo Testamento, escrito em grego, após a morte de Jesus, contém os Evangelhos que narram a vida e os ensinamentos de Jesus, além dos atos constitutivos da Igreja Primitiva, as cartas endereçadas as Igrejas da época, escritas pelos Apóstolos Paulo, Pedro, João e Tiago e finaliza com o Livro do Apocalipse que apresenta as revelações do Senhor Deus para os tempos do fim.
Como o número dos seguidores de Jesus aumentava a cada dia, sendo acompanhado por grandes multidões, começou a ser perseguido pelos religiosos judeus por inveja e pelo império romano pelas ideias que pregava, anunciando um Reino diferente, onde todos seriam iguais.
Foi perseguido, preso e condenado à morte de cruz. Aos 33 anos Ele foi crucificado e sepultado. Ressurgiu dos mortos no terceiro dia, tendo aparecido primeiro às mulheres que O acompanhavam, depois aos doze discípulos e, posteriormente, a mais de quinhentos seguidores.
Determinou aos discípulos que continuassem a pregar e divulgar o Evangelho do Reino em Jerusalém, Samaria, Judéia e em todos os confins da terra, o que ficou conhecido como a “Grande Comissão”. Após isso, foi elevado aos céus e assumiu o Seu lugar à direita do Pai.

 As ideias de Jesus espalharam-se rapidamente por todo o mundo e hoje o Cristianismo é uma das maiores religiões em todo o planeta terra.

Após Sua morte, durante a festa de Pentecostes, festa judaica, ocorreu algo sobrenatural que foi a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos, fenômeno que foi visto por uma grande multidão.
O nome “cristão” foi dado aos seguidores de Cristo e cunhado e propagado pela Igreja em Antioquia. Nome que, a partir daí, passou a identificar os seguidores de Cristo, e esse nome significa “pequeno cristo”.  – ( A continuar )

 

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Dr. Pedro Motta

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