O Bom Samaritano – Dr. Pedro Motta

O Bom Samaritano – Dr. Pedro Motta

O BOM SAMARITANO!

Lucas 10:30-36

Introdução:

O Senhor Jesus usava durante os seus ensinamentos várias figuras de linguagem para ilustrar os Seus ensinamentos – Parábola, Metáfora, Símile, etc.
Usava esses instrumentos linguísticos para ensinar o povo simples de Israel daquela época.  

A PARÁBOLA, é um relato de uma situação terrena, contando uma história figurativa com o objetivo de transmitir um ensinamento espiritual. Toda parábola possui uma verdade central. Normalmente, a Parábola era a narrativa de um fato relacionado com a vida diária em Israel e que era conhecida do povo em geral. Narrava fatos do quotidiano do povo, o que tornava melhor entendido pela população de um modo geral, da cidade e do campo. Nesta parábola, Ele narra um fato que por ser conhecido, ficava fácil o entendimento por todos. Havia um caminho que ligava Jerusalém a Jericó. A primeira, situada na região montanhosa de Israel numa altitude de aproximadamente 800/900 metros e a segunda ficava localizada muito abaixo, em torno de 200 metros abaixo do nível do mar e perto do rio Jordão. Era uma descida muito íngreme até Betânia e passava por áreas formadas por inúmeras depressões profundas e valados, com diversas cavernas, o que a tornava muito perigosa porque facilitava esconderijos e locais ocultos, onde os salteadores e ladrões usavam para se esconder, assaltar, roubar e ferir as pessoas que por ali passavam. A distância entre elas era de aproximadamente 27/30 quilômetros de distancia.

Jerusalém, devido a presença do Templo de Jeová, era conhecida como a Casa do Senhor, a cidade da Paz. Simbolizava a presença do Senhor Deus para o povo judeu. Jericó, conhecida como a cidade das palmeiras, representava o contrário de Jerusalém.  

“Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.”

Aquele homem fazia o caminho inverso. Fez uma escolha errada e todos nós somos responsáveis pelas nossas escolhas na vida, sem exceção.
Todo povo judeu tinha a obrigação de ir a Jerusalém pelo menos uma vez no ano, não importando tão longe morasse. Geralmente iam durante a Páscoa. Porque Jerusalém era considerada a cidade da Benção e da presença do Senhor, devido ao Templo. Local de adoração e louvor ao Deus de Israel.

Neste episódio, esse homem se afastava da benção e da presença de Javé.  Caminhava para um lugar muito longe, que era Jericó. Jericó, uma barreira instransponível e só foi eliminada pela operação poderosa do Deus de Israel, sendo totalmente destruída.  Por isso, ela é a figura do mundo na nossa vida espiritual. O mundo é a primeira e a maior barreira que enfrentamos na nossa caminhada em direção a nossa terra prometida, a Canaã Celestial. Só há uma maneira de vencermos o mundo, buscando proteção e o poder do nosso Senhor em nosso favor.  

Por estar se afastando da Casa do Senhor de Israel, caiu nas mãos de salteadores. Foi roubado, ferido, humilhado e abandonado, deixado para morrer. Nada pode fazer para defender-se. Dessa forma, toda vez que nos afastamos da presença do Senhor, da Sua casa e caminhamos em direção ao mundo, estamos dando oportunidade ao inimigo para nos atacar e nos destruir. ”O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10:10).  Prosseguiu Jesus;

“E ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o passou de largo.”

A narrativa nos conta que naquela mesma hora e naquele mesmo caminho descia um sacerdote e vendo aquele homem caído, ferido e sofrendo, passou de largo. Evitou a cena para não ser obrigado a tomar alguma atitude. Isso não é comigo. Eu não sou responsável. Não é da minha conta.

O sacerdote daquela época era o intercessor do povo junto a Deus. Fora escolhido da família de Arão, que foi o primeiro Sumo Sacerdote. Ele representava o povo nos sacrifícios do Templo e, através desses sacrifícios intercedia e pedia perdão pelos pecados de todos.

Ele simboliza a Religião dominante no mundo, rica, poderosa, mas não se envolve com o sofrimento e as necessidades daqueles que o inimigo assalta, fere e deixa para morrer. Isso não é problema meu, pensa ela. Não tem comprometimento com os pobres e abandonados. Afastada do Evangelho Genuíno do Senhor, praticando a idolatria, vivendo no ecumenismo, com seus livros apócrifos. Uma das denominações religiosas mais ricas no mundo é uma das mais miseráveis em termos de ajuda aos pobres e necessitados. Possui uma fortuna incalculável, palácios luxuosos, banco internacional poderoso, patrimônio financeiro imensurável e nunca se envolveu com a pobreza e a miséria dos pobres. Não sou responsável por nada disso, pensa ela.

“E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e vendo-o, passou de largo.”

A narrativa de Jesus continua. Agora era a vez de outro religioso, um levita que vendo aquela cena chocante, também passa de largo. Não vi nada, pensa ele. Não me diz respeito. Não vou me envolver em problema de ninguém. Isso é problema só dele.

O levita, originado da tribo de Levi, a tribo escolhida pelo Senhor para cuidar do Templo e das coisas sagradas em Jerusalém. Além disso, a partir do reinado do Rei Davi, passou a ser responsável pelo louvor e adoração no Templo. Vivia de contínuo na presença do Senhor, servindo-O no Templo. 

O levita representa a Igreja Evangélica atual. Afastou-se muito do Evangelho simples que o Senhor Jesus pregou e nos ensinou durante o Seu curto Ministério aqui na terra. Ela se corrompeu e envolveu-se na mercantilização do Evangelho. Oferecendo a vida para esta vida, como mencionou o Apóstolo Paulo. Buscando enriquecimento fácil e desonesto. Verdadeiros vendilhões do Templo, na atualidade. Oferecendo um Evangelho ralo, fraco, descompromissado com o projeto de salvação, criando invencionices e heresias diversas. A confissão positiva, que exalta os dois pilares fortes dessa heresia, que são saúde e prosperidade. Daí surgiu a famigerada Teologia da Prosperidade, cujo objetivo principal é a prosperidade financeira dos líderes religiosos envolvidos. Apregoam a cura interior, como se o sacrifício de Jesus na Cruz foi incompleto, necessitando que  façamos alguns reparos e complementos. Heresia pura!

Pregam a deformação do Evangelho, com apresentação de símbolos totalmente idólatras como; rosa ungida, a água abençoada, sal grosso, o lenço bento, água do Jordão, fogueira santa, o cair no espírito e tantas outras baboseiras teológicas. O Apóstolo Paulo nos adverte “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo do céu vos pregue evangelho que vá além do que temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” ( Galátas 1 8-9).

O Senhor Jesus não morreu na Cruz do Calvário para que eu tivesse um carro, uma casa, um emprego ou um bem material qualquer. Ele sacrificou-se por algo muito maior e mais valioso do que tudo o que possuímos e do que qualquer bem material. A Bíblia não nos proíbe ou impede de possuirmos bens e riquezas. A questão básica é a prioridade. O próprio Senhor Jesus nos ensinou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas (Mateus 6:33). Que coisas são estas? Os bens materiais. Neste contexto ele se referia ao que comer e o que vestir.

Nossa prioridade não pode ser só bens materiais e sim a salvação e vida eterna. As demais coisas, os bens materiais, se buscarmos o reino de Deus e a Sua justiça, tudo o mais será acrescentado, naquilo que Ele chamou de ansiosa solicitude pela vida material.

“Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;”

Esse é o maior contraponto dessa narrativa. Por que o Senhor escolheu a figura do samaritano para ilustrar essa parábola, em confronto com dois religiosos judeus de posição destacada?

Vamos aprender mais: Os judeus e os samaritanos eram inimigos ferrenhos. Os samaritanos eram odiados e considerados como cidadãos desclassificados e foram, naquele tempo, os maiores inimigos dos judeus.

Mas quem eram os samaritanos? Um povo estranho? Já existia  em Canaã antes de Israel tomar posse da terra? Nada disso, eles eram originalmente os irmãos dos próprios Judeus.  

Vamos lembrar a história do povo judeu. Após o reinado de Salomão, pela desobediência e idolatria desse grande Rei, o Senhor permitiu a divisão de Israel em 2 reinos. O do norte, composto pelas 10 tribos, tendo como capital Samaria e como rei Jeroboão. Denominado reino de Israel.

O outro, o reino do sul, denominado reino de Judá, composto por 2 tribos: Judá e Benjamim, com a capital em Jerusalém, cujo rei foi Roboão, filho de Salomão.  Desde o início houve contendas entre os dois reinos, que foram se agravando com o passar do tempo.

No ano de 722 a.C, como havia sido profetizado pelos profetas Isaias, Miquéias e Amós, sendo esse último profeta específico para Israel. Nessa época a Assíria invadiu Israel, como profetizado, dominou e promoveu uma política de terra arrasada no território conquistado, levando cativo para a Assíria a maior parte da população e de lá, espalhou-as por todo o mundo que dominava. Deixou poucos habitantes em Samaria e trouxe uma população imensa e de várias origens para habitar naquela região, com suas culturas, deuses e costumes pagãos e idólatras, para realizar uma miscigenação forçada e varrer da terra a cultura e a religião do povo samaritano. As 10 tribos aparentemente desapareceram da história de Israel e nunca mais se ouviu falar delas.

Após 160 anos, aproximadamente, foi a vez do reino do sul ser invadido, dominado e levado cativo para a Babilônia por Nabucodonosor, apesar dos inúmeros avisos e profecias proferidas pelos profetas Isaias e Jeremias. Apesar desses alertas, o povo continuou na desobediência.

Nesse caso, os caldeus tinham uma politica diferente para os territórios conquistados. Deixaram um grande número de judeus assentados e levou cativo a elite do povo; os príncipes, sábios e os mais inteligentes para a Babilônia. Como Babilônia foi conquistada posteriormente pelos Medos, Persas e Gregos, os judeus foram 70 anos depois libertados, em cumprimento a uma profecia dada pelo Senhor, e retornaram a sua terra natal sob o comando de Zorobabel. Nessa época, retornaram aproximadamente 50 mil pessoas e começaram a reconstruir os muros e o templo em Jerusalém.

O povo de Samaria se ofereceu para ajudar nesse trabalho, mas os judeus não aceitaram, porque devido a miscigenação forçada, não consideravam os samaritanos como irmão e, nem mesmo, como povo judeu. A partir daí a animosidade explodiu. Não se falavam e se agrediam mutuamente. Os judeus os consideravam pior do um cão, gente imunda da pior espécie. Dentro desse contexto, Jesus apresenta nessa parábola a figura do samaritano, como um fator de confronto com os 2 religiosos. 

Portanto, era muito difícil entender porque o samaritano poderia ter tido compaixão daquele judeu ferido, levando em conta todo o contexto daquela época.

A primeira coisa que fez o samaritano, foi se aproximar e não passar de largo, não achar que não tinha nada com aquilo, que não era problema dele, talvez, por tudo o que havia sofrido antes. Ele sabia o que significava sofrimento, por isso se aproximou dele, movido de profunda e sincera compaixão. Quem sofreu sabe o que significa o sofrimento de outro. Mas não ficou apenas no sentimento. Ele teve, também, atitude.

“E, aproximando-se, tratou as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele.”

Movido pela profunda compaixão com o sofrimento daquele homem, que ele nem conhecia, começa a tratar das feridas, limpando-as, usando azeite e vinho, que eram substâncias medicinais muito usadas naquela época, pois eram medicamentos sépticos e cicatrizantes, para não deixar a ferida infeccionar, o que iria agravar muito uma situação já grave.

Desse mesmo modo, o Senhor Jesus quer cuidar de você nesta noite. Cuidar das suas feridas, da dor, da humilhação e do seu sofrimento. Ele quer conforta-la. O azeite simboliza a unção e a benção do Senhor para sua vida e o vinho a presença e a alegria do Espírito Santo. Remédios poderosos para tratar suas feridas físicas e espirituais. Dando paz e renovo para sua alma angustiada.

Além de trata-lo naquele lugar, resolve tomar aquela vida e o conduziu para uma Hospedaria, para que o tratamento iniciado naquele momento pudesse ter continuidade em condições mais confortáveis e em segurança.

 “E, partindo ao outro dia, tirou dois denários, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.”

Um denário correspondia ao valor de uma diária de um trabalhador naquela época. Então, o samaritano pagou adiantado o que corresponderia ao tratamento daquele homem. Entretanto, deixou bem claro que, se fosse necessário outras despesas, o hospedeiro poderia gastar porque tinha a garantia de que ele iria voltar e pagaria qualquer valor que fosse gasto a mais naquele tratamento. Não precisaria economizar em nada. Tudo seria pago.

Gostaria agora de fazer uma reflexão sobre tudo o que foi relatado acima, gostaria de apresentar e identificar quem é o Samaritano desta parábola e apresentar 7 revelações contidas  nela.

O SENHOR JESUS É O SAMARITANO!

O Samaritano Celestial foi rejeitado pelos seus. Humilhado, agredido, renegado, crucificado, morreu da forma mais vergonhosa e maldita, naquela época, a morte no madeiro.  Maldito o que foi pendurado no madeiro, diz a Palavra. Tudo isso Ele suportou pela nossa vida. Nada pediu em troca! Morreu, como ovelha muda, pela nossa salvação! Para que tenhamos vida eterna e em abundância!

Eis as 7 revelações contidas na descrição do Bom Samaritano Celestial

1)    Ele se aproximou do ferido - Cuidado Pessoal – Aquele homem foi abandonado e deixado para morrer. Esquecido pelos religiosos. Ele teve compaixão e não o deixou só. Desse mesmo modo, o Senhor age em nossas vidas. Um dia estávamos abandonados, feridos, subjugados, deixados para morrer e Ele nos recolheu, tratou-nos e nos encaminhou para a Sua Hospedaria, a Sua Casa. Portanto, se você está ferida, angustiada, machucada, enfrentando uma luta, vivendo um problema difícil na sua vida, saiba que o Samaritano Celestial está aqui nesta noite e Ele quer cuidar da sua vida.

Não importa a sua situação ou como você está! Não interessa a sua condição física, social e emocional. Ele vai se aproximar de você, tenha certeza disso!

2)    Curou-lhes as feridas, cuidou daquele homem abandonado pelos religiosos. Justamente o samaritano. Jesus vai cuidar de você, não importa o que você precise, Ele irá providenciar todas as coisas que necessita para ficar curada. Ele cuidou pessoalmente daquele homem e vai cuidar de você também, acredite!

3)    Ele colocou o ferido sobre o Seu próprio animal e o conduziu - isto significa que Ele o conduziu para outra direção. Para um novo lugar. Significando uma nova vida. Não mais para Jericó, lugar de maldição, mas para um outro lugar especial, dando uma nova esperança e um novo sentido para aquele homem.

4)    Levou a uma Hospedaria, um lugar seguro e confortável para facilitar e apressar o tempo de cura, dando condições de recuperação rápida e protegida. Deixou-o com um responsável pelo tratamento, garantido a continuação da cura. Garantindo que não haveria nenhuma interrupção ou suspensão daquele tratamento.

Da mesma maneira, Jesus a trouxe aqui nesta noite. Esta é a Sua Hospedaria Celestial. Ele vai mudar o seu destino, o seu rumo. Haverá um novo caminho! Não irá mais em direção ao mundo. Outro caminho se abre diante da sua vida. Não mais para Jericó. Jesus, o Samaritano Celestial tem algo novo para sua vida. Este é o seu novo lugar, onde o seu tratamento irá continuar até a sua completa restauração.

5)    A hospedaria simboliza a Igreja Fiel do Senhor Jesus. Nela você será ajudado, apoiado, tratado e curado. Tudo o que for necessário para seu tratamento já foi providenciado e estará à sua disposição. A Igreja, na figura do hospedeiro, será a responsável de providenciar todas as coisas necessárias a sua completa recuperação. Tudo o que for gasto a mais, com jejum, oração, intercessão, será pago quando Jesus voltar, Ele garantiu!

6)    No dia seguinte, significa que houve uma noite anterior e, nesta  noite, Ele permaneceu ao lado do ferido, cuidando e confortando. Que maravilha estarmos sob os cuidados desse Samaritano Celestial num momento de sofrimento e enfermidade. Ele nunca nos abandona. Ele é o Médico dos Médicos e nada nos faltará!

7)    Pagou pelo tratamento, dois denários. O denário era uma moeda hebraica e correspondia a uma diária de um trabalhador naquela época. Então, Ele pagou por 02 diárias. Para Deus um dia é como mil anos e mil anos como um dia. Dessa forma, Ele deixou uma previsão da Sua volta! Não pediu desconto, não sonegou o valor devido. Tudo foi pago regiamente. Tudo já está pago e consumado. Pagou o nosso resgate e nos comprou por um alto preço no sacrifício da cruz no Calvário.

Mais ainda, garantiu a Sua Volta. Eu voltarei! E, se houver alguma despesa a mais, Eu pagarei! O nosso Samaritano Celestial não dará calote em ninguém. A sua salvação e plena restauração já está paga. TETELESTAI!

Pense bem! Veja o que Jesus fez por nós. Não permita que o imenso sacrifício de Jesus na Cruz, venha ser inútil para sua vida.

Permita que Ele a conduza por um novo caminho, uma nova direção e uma nova vida. Abandone Jericó! Venha para a Jerusalém Celestial. Que o Senhor Jesus o abençoe profundamente nesta noite!

AMÉM. AMÉM!

Dr. Pedro Motta – Neurocirurgião – Membro CCNCS e Bacharelando CCM
Dr. Pedro
 

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