Pentecostes e a Igreja Primitiva! – Parte 4 – Pr. Pedro Motta

Pentecostes e a Igreja Primitiva! – Parte 4 – Pr. Pedro Motta

(Continuação – A História do Cristianismo – Parte 4)

1.7 O Pentecostes

De acordo com Wiersbe (2006), Pentecostes é uma palavra grega que significa “quinquagésimo” ou cinquenta dias. Inicialmente, era uma festa folclórica e muito comemorada pelos judeus, por acontecer cinquenta dias após a Páscoa Judaica ou Pesach.

Esta festa durava sete semanas, desde o dia seguinte à Pascoa até o quinquagésimo dia. Seu nome em hebraico é Shavuoth, que significa semanas, também é conhecida como a festa das semanas.

Era uma tradição agrícola comemorada pelos agricultores judeus por coincidir com o inicio da colheita. Agradeciam a Yavé pela benção da colheita farta. No livro de Levítico estão citados os detalhes desta festa, até hoje comorada pelo povo de Israel.

Para os cristãos o evento de Pentecostes possui outro significado muito maior. Representa a descida do Espírito Santo de Deus sobre os discípulos e, por serem o embrião da Igreja Primitiva, podemos afirmar que também foi derramado sobre toda a Igreja Fiel do Senhor Jesus.

Ainda segundo Wiersbe ( 2006),  houve manifestação de poder entre os discípulos e o povo presente naquele momento, pois houve atuação poderosa do Espírito Santo, através de batismo e do transbordamento dos discípulos, falavam diversas línguas  enquanto louvavam a Deus. O Espírito deu poder a Pedro para evangelizar, de modo que três mil almas foram agregadas.

Wiersbe (2006, p.526), nos ensina que:

O Calendário das celebrações de Israel em Levítico 23 é um esboço do ministério de Jesus Cristo. A Páscoa retrata sua morte como Cordeiro de Deus (Jo 1:29; 1 Co 5:7), e a Festa das Primícias representa sua ressurreição dentre os mortos (1 Co 15:20-23).

Esse fato iria impactar muito a Igreja num futuro próximo. O relato da presença do fogo e vento, naquela ocasião, remete mais ainda a presença de Pai e do Filho, porque estão relacionados tanto no Antigo, como no Novo Testamento com a presença e o poder do Senhor Deus.

Os eventos em Pentecostes foram importantes e tornou-se a pedra fundamental para a criação da Primeira Igreja Cristã, também chamada de Igreja Primitiva.  Totalmente dissociada do Judaísmo, embora alguns discípulos oriundos do judaísmo pretendessem manter conceitos e tradições da religião hebraica e não conseguiram.

A fundação da Igreja Primitiva, entre outras opções, teria ocorrido no momento em que Jesus escolheu os 12 Apóstolos.

No entendimento de Willmington (2015, p. 277), vemos sua ponderação:

 “Essa regra aponta para o instante em que, depois de passar a noite toda em oração, Cristo selecionou os 12 discípulos. Com essa seleção, esses 12 homens tornaram-se um corpo, pela primeira vez. Eles tinham um cabeça – Cristo. Eles tinham um tesoureiro – Judas. Eles haviam sido encarregados de batizar os cristãos. Eles uniram-se para fazer a vontade de Cristo.”

Neste momento, teria sido criada toda a estrutura e o objetivo principal da Primeira Igreja de Cristo. Ela foi fundada sobre os ensinamentos que Jesus transmitiu aos Seus Apóstolos, que passou a ser conhecida como a “Doutrina dos Apóstolos.”

A partir da sua criação, a Igreja crescia e se multiplicava de forma maravilhosa. Para isso, contribuiu muito a conversão de Saulo, que posteriormente teve seu nome mudado para Paulo, fariseu de projeção e ferrenho praticante do judaísmo, com um conhecimento cultural e religioso espantoso, tornou-se um fanático perseguidor dos cristãos, em defesa do judaísmo, tendo participado por omissão na morte de Estevão, um dos primeiros evangelistas cristãos daquela época. Paulo foi figura proeminente para a completa separação entre a nova religião cristã e o judaísmo tradicional. 

Wiersbe (2006) nos oferece um bom perfil da vida de Saulo/Paulo. Nasceu em Tarso, na Cilícia, filho de fariseus e cidadão romano, foi tutoriado por Gamaliel um dos maiores conhecedores do judaísmo na época, tornando-se um “doutor da lei,” transformou-se em um fariseu ardoroso e fiel e era considerado pela Cúpula dos religiosos do Sinédrio como, um futuro grande líder da religião judaica.

Após um encontro com Jesus ressurreto no caminho para Damasco, para onde se dirigia em perseguição aos cristãos daquela cidade, converteu-se ao cristianismo e foi um baluarte na criação de Igrejas, divulgando o Evangelho da Salvação aos gentios, isto é, aos não judeus. Paulo foi o grande obreiro na difusão do Evangelho para fora de Israel.

 

1.8 A Igreja Primitiva                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

Muita coisa aconteceu no trajeto, entre o início da Igreja Primitiva até a Igreja Evangélica dos nossos dias. Muito sofrimento, muita luta, muita morte e muito sacrifício ela sofreu até a atualidade. Venceu apesar de tudo o que enfrentou como veremos a seguir, através de um breve resumo da história da Igreja Primitiva de Jesus Cristo.

Com o crescimento acelerado da Igreja, não havia recursos humanos para o devido acompanhamento por parte dos Apóstolos envolvidos e do Conselho de Jerusalém, criado para organizar e administrar as novas Igrejas que surgiam.

Daí surgiu a necessidade da correção de alguns desvios doutrinários surgidos. Então, foram acrescentadas ao Novo Testamento as Epístolas endereçadas as Igrejas locais, a maioria delas escritas por Paulo, para corrigirem esses desvios de rumo e as heresias que foram surgindo.

A Epístola aos Gálatas foi escrita para combater os judaizantes. Aos Coríntios, 1 e 2, foram escritas para correção da frouxidão moral dos cristãos da Igreja de Corinto, bem como, ensinar e disciplinar o uso dos dons espirituais. A de Tessalonicenses, 1 e 2, foram para corrigir distorções acerca da volta de Jesus.

No percurso evolutivo da Igreja Primitiva, logo começaram a aparecer vários obstáculos criados pelo império romano, na tentativa de frear ou impedir o seu crescimento, denominados agentes externos. Também surgiram os chamados agentes internos, que foram criados no meio da própria Igreja pelos seus próprios dirigentes ou membros.  

 

1.8.1 Os Agentes Externos: As perseguições

O primeiro grande obstáculo que a Igreja enfrentou, foram as perseguições desencadeadas pela Cúpula do Judaísmo e os imperadores romanos. A princípio, o governo imperial romano considerou a Igreja Primitiva como mais uma das seitas do judaísmo, semelhantes as já existentes: Fariseus, Saduceus, Essênios, Escribas, etc., e, como tal, entendeu ser uma seita aceitável. Entretanto, com o crescimento acelerado, passaram a perceber que a mesma era distinta dos ritos da religião judaica e que se tornava uma grande ameaça ao império.

Então, logo foi acesa a lâmpada do alarme, algo diferente estava ocorrendo e foi acelerada a reação e rejeição por temor a sua doutrina, o que desencadeou uma ferrenha oposição.

As ideias do cristianismo assustaram o governo romano, porque, além de não concordarem com a adoração ao imperador como deus vivo, adoravam a um Rei que não era deste mundo e pregavam a igualdade entre todos os homens.

Algo que eles não podiam entender e alcançar!

A grande perseguição aos cristãos foi na época do Imperador Nero. Nesta época, os cristãos eram perseguidos, presos e levados como atração para as arenas romanas, para serem devorados pelas feras, queimados vivos ou crucificados nas estradas e avenidas romanas, como aviso e como atração macabra. Isso gerava muita alegria e prazer ao povo romano, numa barbárie sem precedentes.

Esse longo período de perseguição foi seguido por outro período curto, mas intenso e violento, determinado pelo imperador Domiciano.

A seguir, já no segundo século, durante o governo do imperador Trajano houve uma mudança no modo de perseguição aos cristãos. Não mais seriam caçados, mas aqueles que fossem denunciados seriam presos e submetidos ao tribunal romano e tinham duas opções: Renegar o cristianismo e adorar os deuses romanos pagãos ou morrer.

Vários foram os mártires cristãos nesse período, cujos nomes merecem ser citados: Simeão e Inácio, nos períodos de Trajano e Antonino Pio; Policarpo e Justino, sob o período de Marco Aurélio; Leônidas, Perpétua e Felicitas, sob o período de Séptimo Severo; Cipriano e Sexto, no período de Valeriano.

Entretanto, à medida que eram perseguidos e mortos os cristãos, eles se multiplicavam cada vez mais e conseguiam mais adeptos num crescimento assustador.

Dessa forma, os romanos acharam melhor diminuir a perseguição do que incrementar, passando a ter um comportamento moderador com essa nova religião.

 

1.8.2 Os Agentes Internos: As heresias

Além das perseguições externas, o Cristianismo enfrentou outro inimigo muito mais terrível, as heresias e por serem agentes internos basicamente, algumas delas foram originadas por líderes da própria igreja.

As primeiras heresias surgidas originaram dos judeus convertidos, problema primeiro enfrentado pelo Apóstolo Paulo na igreja da Galácia, quando os ebionitas que eram fariseus confrontaram o Apostolado de Paulo e exigiam que os novos convertidos gentios se submetessem ao rito da circuncisão. Além disso, dentro dos seus princípios legalistas e submissos ao monoteísmo judeu, negavam a divindade de Jesus.

 Outra corrente herética, os elquesaítas, pregavam um tipo de cristianismo judaico semelhante. Rejeitavam o nascimento virginal de Jesus e exigiam a circuncisão e o guardar o sábado de forma absoluta. 

Da parte dos gentios surgiram algumas heresias que atingiram o início da Igreja Primitiva. O Gnosticismo abalou muito a Igreja, com uma doutrina amorfa, ampla e insidiosa. Gnosticismo vem do grego, “gnosis”, que significa conhecimento.

Brunelli (2016)  nos informa que os gnósticos era uma corrente filosófica que invadiu a Igreja misturando suas ideias filosóficas com as doutrinas cristãs já estabelecidas, associando também algumas práticas esotéricas. Era composto de vários subgrupos como: os Nicolaítas, os marcionitas, os cerintos, os ebionitas e os elquesaítas.

Um desses pregadores, Cerinto, ensinava que havia uma diferença entre Jesus humano e o Cristo divino, que se dava devido a um espírito superior que descera sobre Jesus, no momento do batismo e se afastou no momento da crucificação. O Apóstolo João combate indiretamente essa heresia, como vemos em: João 1:14; 20:31e 1 João 2:22.

Dentro da concepção gnóstica, o corpo representava o mau e o espírito o bem, o que os levava para dois extremos. Alguns buscavam viver de modo rigoroso em relação à carne e outros se lançavam a plena libertinagem.

Outra heresia surgida  foi o  Marcionismo, criada por Márcion, filho do bispo de Jope. A doutrina pregada por ele tinha semelhanças com o gnosticismo no sentido de que o Deus do Velho Testamento (V.T.) não era o mesmo do Novo Testamento (N.T.). Alegava que o Deus do A.T. era somente para os judeus. O Deus no N.T. seria o Deus dos cristãos. Ele chegou a criar uma igreja independente baseada na sua heresia e esse ensino foi um imenso perigo e causou um imenso dano na Igreja.

Outras heresias surgiram posteriormente, mas de pouca importância para a caminhada da Igreja. Foram criadas nesse período as Regras de fé, sendo a principal o Credo Apostólico, que resumia os pontos principais da fé professada pela Igreja naquela época.

 

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Dr. Pedro Motta

 

 

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