“UM ESTUDO SOBRE O CRENTE E SUAS ENFERMIDADES!” Capítulo 01

“UM ESTUDO SOBRE O CRENTE E SUAS ENFERMIDADES!” Capítulo 01

Um estudo sobre o crente e suas enfermidades

   (tese apresentada no curso de bacharel em teologia -  fatefé-sp –Nov- 2017  Racchel Vieira Motta)

                                     Capítulo 01

                                  INTRODUÇÃO

 

Neste estudo sobre o crente e as enfermidades que sofrem, estamos levantando alguns postulados defendidos especialmente sobre duas grandes correntes de pensamento: uma pentecostal, onde a cura pela fé é sempre possível ao crente fiel, e outra conservadora, em contraposição, onde a cura divina, mesmo sendo o crente fiel e verdadeiro, nem sempre vai ocorrer.

Levantamos textos e premissas em que se baseiam estas linhas teológicas, bem como fazemos uma análise da origem das enfermidades à luz da Bíblia – as Escrituras Sagradas. Abordamos a criação do homem como um ser tricotômico que, com o pecado original, foi fragilizado em suas três dimensões, ficando assim suscetível a enfermar em seu corpo físico, em sua alma e em seu espírito.

Muitos crentes fiéis, ao se tornarem enfermos, têm ficado frustrados em sua vida cristã e alguns destes, indo mais além, têm ficado descrentes de tudo a que se refere a Deus, porque ficaram doentes e não tiveram respostas de cura às suas preces.

Que este estudo seja um alento para tantos que, mesmo orando por cura, possam entender que esta talvez não venha e achar consolo e forças no Senhor Deus, mesmo em meio a enfermidades sofridas, sabendo que ao fim de tudo temos Sua vontade soberana agindo sobre nós, como também Sua promessa de vida eterna.

1 A origem das enfermidades                                                                          

 

“Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe; outras, para serem edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é caridade.”

                        

                            Bispo Agostinho de Hipona

 

 

1.1 Como o homem foi formado

O ser humano foi criado pela vontade e poder supremo e absoluto de um Ser Superior e divino, Deus, responsável não só pela criação, mas também pela sustentação e manutenção de toda estrutura física e metafísica existente no mundo em que vivemos e no cosmos.

Deus, este Criador eterno, criou todo o universo, todos os seres angelicais e toda a estrutura necessária para receber a coroa da criação: o ser humano. Segundo as Escrituras Sagradas, no livro de Gênesis, Ele então cria o homem a partir do pó da terra e o chamou Adão, que em hebraico significa “ruivo”, porque da terra ele tinha sido formado e a terra, por ser ainda virgem, tinha esta coloração, de acordo com o historiador Josefo (1990).

Deu-lhe primeiro um espírito e uma alma, pois criou um ser espiritual semelhante a Ele. Nesta alma estava a consciência do bem e da verdade absoluta, capacitando-o para ser moralmente responsável em suas atitudes. Depois lhe dá uma forma, um corpo, imagem do que seria o “ungido” que viria a habitar na terra séculos depois. Este corpo era totalmente perfeito, puro e saudável em toda a sua composição. Circulava neste corpo um sangue puro, com toda a sua estrutura de células, plaquetas e proteínas.

Ao lhe dar vida, Deus também lhe concedeu atributos necessários para Adão ter comunhão e entendimento de quem o criara, como também entendimento dos valores espirituais e morais que foram interiorizados nele. Concedeu-lhe ainda a liberdade de tomar decisões e fazer escolhas baseadas nessas leis morais plasmadas em sua alma e espírito. Assim veio Adão a ser criado, a partir de matéria inerte, mas contendo nele o sopro da vida do Criador eterno. Ele vivia em contato direto com a Luz divina e por isso podia ver claramente todas as coisas físicas e espirituais.

1.2  A natureza triuna do homem

A compreensão da origem das enfermidades que acometem o homem começou do entendimento primevo de quem criou o homem, Deus Criador, e a visão integral e completa que este homem tem três níveis essenciais estruturais que se fundem num ser único: o nível do espírito, que é inerente à semelhança com seu Criador, que é um ser espiritual; o nível da alma, imortal como o espírito, onde reside o conhecimento do “eu” com os sentimentos, vontades e razão inerentes ao ‘eu”; e o nível do corpo material, composto por células, tecidos, órgãos, membros, etc.

Assim, estes três níveis formam o tripé que compõe o ser humano: Espírito – parte divina herdada do Criador; Alma – formada pela psique, sentimentos e vontades e o Corpo – composto por estruturas de células, órgãos, membros, etc. No tocante a alma e ao espírito, foram soprados no primeiro homem valores absolutos e atributos divinos; e o corpo, a parte exterior, necessária para este corpo ter forma e mobilidade, foi criado com uma estrutura bela, perfeita, saudável e sincrônica.

Segundo Nee (1968), podemos afirmar que o espírito é a nossa parte que nos faz conscientes de Deus e nos relaciona com Ele; a alma é a nossa parte que nos dá a autoconsciência e nos faz relacionar com nós mesmos, e o corpo é a nossa parte que nos permite nos relacionar com o mundo exterior e nos dá a consciência deste mundo em que vivemos pelos nossos sentidos.                                                             

1.3 Como as doenças surgiram

     Conforme visto anteriormente, Adão, o primeiro homem, tinha uma estrutura física perfeita e uma saúde perfeita porque refletia inicialmente a concepção do ser perfeito que o criou. Porém, segundo as Escrituras Sagradas, no livro de Gênesis, Adão desobedece a Deus ao não cumprir limites e regras que seu Criador lhe dera. Vivendo no Éden, seu habitat, ele não observou certas regras que, se não fossem obedecidas, gerariam desordem e condenação.

Havia um ser que é a personificação do mal absoluto, em contraposição a Deus, o bem absoluto, chamado Satanás, que agia na terra com seus aliados malignos. Ele, em eras anteriores, era um ser espiritual, um querubim ungido, perfeito em sabedoria e beleza. Ele ministrava junto ao trono de Deus, seu Criador. Mas um dia resolveu se rebelar e nasceu em seu coração a inveja, a soberba e a ganância pelo poder e assim achou que poderia usurpar o lugar de Deus e orquestrou uma rebelião na morada de Deus. Foi punido pelo Senhor e sendo expulso do lugar santo onde Deus habita, passou então, com seus aliados, a habitar na terra.

Este ser espiritual depois de perder seu status de querubim ungido, torna-se um monstro e internaliza tudo de mal que ele gerou para se opor a Deus e assim faz com que esse mal contamine a tantos quantos ele possa convencer e enganar. Desse modo, ele engana a mulher de Adão, que também fora criada por Deus, e ela quebra um dos limites dados por Deus de não comer o fruto da arvore do conhecimento do bem e do mal que havia no jardim do Éden. Eva, uma vez enganada, come desse fruto, e induz Adão a transgredir e comer também.

Foram seduzidos e ludibriados por Satanás, porque ele odiava tudo o que era perfeito e bom que Deus criara. Assim, Adão e Eva, ao usarem de sua prerrogativa de pensar e agir conforme suas vontades fizeram com que esta vontade prevalecesse sobre a regra de Deus e a transgrediram. Ao desobedecerem, suas almas ficaram dominantes sobre seus espíritos e seus desejos dominantes sobre a vontade divina. A razão e a sua vontade humana prevaleceram sobre seu espírito.

Com a desobediência da ordem divina, ficaram Adão e sua mulher, sujeitos a punição e a sofrer as consequências da transgressão. Houve o rompimento da comunhão direta que eles desfrutavam com Deus e toda a sua estrutura física tornou-se contaminada, frágil e enferma ao comerem o fruto proibido, bem como toda a ordem de valores divinos que existiam neles virou desordem e ficaram desalinhados com tais valores. Ficaram eles vulneráveis a toda ação do mal em sua alma e em seu corpo. Sua mente e espírito ficaram suscetíveis a influencia de Satanás e seu corpo, antes sadio e perfeito, ficou deformado e enfermo, subjugado a ação do tempo que vai deteriorando-o.

Adão tendo obedecido a Satanás fica em franca desobediência a Deus e sem ter mais a comunhão com Ele, começou a absorver a essência do mal, afetando os seus três níveis de estrutura. Semelhante a Satanás que quando pecou foi expulso da presença de Deus, assim também Adão é expulso. Semelhantes atitudes, semelhantes punições. Adão começa a viver em trevas espirituais porque a luz de Deus havia se retirado dele. Seu espírito agora está sujeito a seus desejos, vontades e razões que se inclinam para o mal. Seu corpo agora está totalmente vulnerável e sujeito a enfermidades. E esse legado maldito é passado de geração em geração enquanto existir um homem gerado nesta terra. Segundo Nee (1968), se o espírito e a alma do homem estivessem como no modelo original criado por Deus e em harmonia com Sua vontade, ele não teria sofrido mudanças em seu corpo e conservaria a saúde, a perfeição e o vigor originais. Ele não teria saído da presença da Luz para viver em trevas.  

1. 4  Conscientização do homem quanto à sua natureza caída

Com a ingestão do fruto proibido, nasceu em Adão, e por consequência em todos nós, a consciência do que é bom e mal, e isso gera em nós dor e rejeição de nós mesmos porque em nosso âmago sabemos que somos maus. Então o homem nega a si mesmo. Mas mesmo que o homem tente se negar ou esconder sua natureza caída, as leis morais estão incutidas em seu ser interior e ele sabe que suas atitudes, ações e razão são totalmente opostos a estas leis divinas dadas por

Deus. Ele sabe que está em trevas, embora não admita.

Na tentativa de negar esta obscuridade do seu caráter, o homem usa máscaras para si mesmo e para a sociedade, máscaras essas que camuflam o caráter doentio herdado de Adão. Ele tem ainda um espírito que anseia o bem e o belo do Criador, mas isso é sufocado pela alma que está em desordem e se tornou má. Essas máscaras são colocadas na vã tentativa de cobrir o que ele sabe que é pernicioso dentro de si. Assim, ele vive de máscara em máscara, superficialmente, escondendo até de si mesmo seu lado obscuro e maligno, da qual sozinho ele não consegue se libertar. Estas desordens de comportamento geram enfermidades psíquicas e até orgânicas. Sentimentos de culpa são abafados e adormecidos sob tais máscaras. O orgulho de ser superior e inteligente não pode admitir sua natureza má. Somente quando ele é confrontado ele pode se alimentar de forças que vençam essas máscaras e o leve a uma conscientização de quem ele realmente é e do que precisa para não agir como sua natureza o impele. A conscientização vindo à tona, de certa forma o impulsiona a buscar o bem e a cura para as suas desordens de caráter.

De acordo com Keppe (2000), a consciência da sua situação é a percepção ou a ciência da realidade interior, e isto traz um enorme benefício, porque é o primeiro passo para o tratamento da alma e das suas feridas. Esta consciência é boa porque leva o homem a tomar uma decisão fundamental, que é ou querer ficar doente e usar de máscaras ou, a buscar o bem, que é curador, que é libertador, que é o agente transformador da sua alma doente. A alma, que antes estava em trevas e doente, pode ser curada e viver com a luz, que é o único caminho que pode fazê-la se reencontrar de volta com seu Criador. Através do Espírito de Deus é que o homem consegue descortinar sua alma e deixar que a luz divina penetre trazendo cura.

 

( A Continuar…..)

 

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Racchel Vieira Motta

 

 

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