Um Estudo Sobre o Crente e Suas Enfermidades – Capítulo 3

Um Estudo Sobre o Crente e Suas Enfermidades – Capítulo 3

UM ESTUDO SOBRE CRENTE E SUAS ENFERMIDADES (TESE APRESENTADA  NO CURSO DE BACHAREL EM TEOLOGIA –     FATEFÉ- SP – NOV/ 2017 – RACCHEL VIEIRA MOTTA)

2. 3 – MANEIRAS DA CURA  DIVINA SER MINISTRADA

continuação – Além das práticas citadas no Novo Testamento, como a imposição de mãos e a unção do enfermo, que esta corrente exerce, ela também declara que todo crente deve ter autoridade para determinar sua cura e ter fé suficiente que faça com que o milagre ocorra porque esta é a vontade explícita de Deus. Somente precisa-se tomar posse da cura e não aceitar a doença em nosso corpo. Isso é possível para eles, desde que não haja impedimentos para a cura se manifestar tais como: pecado não confessado (cf Tiago 5:16); medo ou ansiedade extrema (cf Prov.3:5-8 e Filipenses 4:6-7); incredulidade ou dúvida (cf Marcos 6:3-6,9-19 e 23-24) e a decisão de Deus de levar a pessoa para a eternidade.

Certamente que todos concordam, seja simpatizante de que corrente for, que sem fé é impossível obter-se a cura ou qualquer outro favor de Deus. No entanto, o que esta corrente afirma é que qualquer enfermidade pode ser curada desde que se tenha uma fé inabalável e a certeza de que Deus quer sempre nos curar ainda nesta vida terrena.

É neste cenário que encontramos: “Antes que qualquer pessoa possa ter uma fé inabalável para obter a cura física, deve despojar-se de toda a incerteza quanto à vontade de Deus nesta questão.” (BOSWORTH,F.F.,2002,p.17).

 Este autor, como outros que defendem esta corrente de pensamento, crê que pela Palavra, a semente da fé cresce em nossos corações e ao se firmar nela, pode-se ver que tudo que Deus promete Ele cumpre, e Ele prometeu que seríamos sarados das nossas enfermidades. Por isso é só uma questão de tomar posse da promessa colocando a fé em ação. Diz-nos ainda o referido autor que da mesma maneira que ao pecarmos e pedimos perdão, temos a absoluta  certeza de que fomos perdoados, podemos também pedir a cura e termos a absoluta certeza de que fomos curados, independentemente dos sintomas. Continua o autor que, pode passar algum tempo entre o pedir a cura e a efetivação desta no nosso corpo, mas a cura virá. Ele embasa seu raciocínio citando o texto da Bíblia em Hebreus 10:35-36.

Assim também encontramos em Hagin (1978,p.114):

Precisamos saber que a cura do nosso corpo físico é parte integrante do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Ele não somente tomou sobre Si os nossos pecados; também tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças.

Esta linha advoga também que, mesmo que haja os sintomas da enfermidade, deve-se olhar para as promessas, porque Deus antecipadamente deseja nos curar.

Assim nos fala Osborn (2012,p.117): ”Ele deseja que você saiba que tem poder sobre a enfermidade, que é vencedor, conquistador, que pode repreender a doença e ver os sintomas se dissiparem.”

Ainda nesse pensamento encontramos a fala de BOSWORTH (2002,p.24):

Quando seus olhos estão voltados apenas para os sintomas e a sua mente está mais preocupada com eles do que com a Palavra de Deus,[...].

 

Outro fator ponderado e justificado por essa corrente no que se refere a morte de fiéis, é que Deus tem a hora de leva-los para junto Dele. Quanto a isso, encontramos o posicionamento do Reverendo P. Gavin Duffy(18–?,apud Bosworth,2002,p.59): “Evidentemente que não devemos esperar que idosos sejam fortes, mas se o período de vida concedido por Deus ainda não foi alcançado, temos o direito de reivindicar o dom divino da saúde.” (Grifo nosso).

2.4  Premissas para a cura ocorrer

Segundo Osborn (2012) três premissas são necessárias para a cura divina ocorrer:

  • Ter fé. Orar e a oração ser fruto da sua fé. As vezes a resposta à oração não é imediata, como vimos anteriormente, mas não significa que a cura não se efetuará. Os sintomas podem demorar em desaparecer, mas devemos perseverar em fé, sabendo que se na oração foi declarada a cura, então ela já está garantida.
  • Confessar a promessa divina. Necessitamos confessar a promessa contida na Palavra de Deus de que seríamos curados de toda enfermidade, mas para isso precisamos determinar em nossa vida a cura, porque há poder em nossas palavras. Isso é a confissão positiva da Palavra, onde se reconhece e admite o poder que ela tem, concordando com que o Senhor Deus afirma nela. Ao confessarmos a cura, ela virá porque estamos reivindicando nossos direitos como filhos do Deus Altíssimo.
  • Não se fixar nos sintomas. Se os passos anteriores foram dados, cumprindo o que a Palavra nos pede quanto a vivermos em obediência e sujeição a ela, então devemos esperar a cura e não ficarmos sendo movidos pelo que sentimos, que são os sintomas. Eles apontam para nossos sentidos e isso não tem nada a ver com a fé professada. Então mesmo que os sintomas demorem a ser derrotados, creiamos que a cura já está decretada.

2.5  Por que alguns crentes não recebem a cura?

 A resposta desta corrente pentecostal é que estes crentes, embora sem vida de pecado, acreditam mais no que os seus cinco sentidos dizem do que a Palavra de Deus diz em vários textos que citamos anteriormente, e outros que evidenciam que Deus quer de antemão curar todo enfermo.

A certeza de que Deus está operando a cura depois de se realizar os passos acima, mesmo que ainda se sinta sintomas da enfermidade, é a chave mestra para o milagre ocorrer. Não podemos duvidar disso porque se somos governados pelos sentidos e  não pelo sobrenatural da fé, iremos fracassar (cf Marcos 1:6-7).

De acordo com Bosworth (2002, p.209) existem muitas razões para não se obter a cura, além das comentadas anteriormente. Pessoas que ele teve contato durante seu ministério, identificaram-se com algumas delas, a saber:

  • Ignorância em relação ao poder de cura do Evangelho
  • Igrejas que não promovem reuniões de cura divina
  • Incredulidade de lideres religiosos ou do próprio enfermo
  • Pecados ocultos não confessados
  • Falta do enfermo de liberar perdão

Não só F.F. Bosworth como T.L.Osborn, E.W.Kenyon, Charles Hunter, entre outros inúmeros escritores cristãos que apoiam esta corrente, acreditam que o crente verdadeiro e fiel se ficar doente, vai ser curado ao exercitar sua fé nas promessas divinas, desde que não incorra nas questões de impedimento elencadas acima.

     Com pequenas variantes, todos eles postulam que:

  • Realmente é a vontade de Deus curar-nos sempre (cf Mateus 8:1-3)
  • Realmente é a vontade de Deus que sejamos usados para ministrar a cura nos enfermos (cf Marcos 16:17-18)
  • O que se vê com os olhos da fé é o que se recebe de Deus.

2.6  Seguidores desta corrente sofreram enfermidades

Segundo um artigo de Roberto Aguiar, extraído da Internet, grandes escritores desta escola de pensamento, morreram de doenças sérias, apesar de negarem  este fato. O artigo fala de alguns deles como:

  • E.W.Kenyon que afirmou estar curado, mesmo sentindo sintomas da doença, dizia não serem esses que o impediriam de receber a cura. Morreu de um tumor maligno
  • Kenneth E.Hagin disse que cada crente deveria se preocupar com a Palavra e não com sintomas. Teve uma irmã e um genro com câncer e ele próprio morreu de complicações cardíacas, embora tenha afirmado ter sido curado deste mal.
  • T.L.Osborn afirmara que cristãos nunca deviam permanecer doentes e teve, segundo seus relatos, um ministério de operação de muitas curas. Contudo sua esposa Daisy Osborn morreu de câncer, apesar dele ter declarado em sua congregação que ela tinha sido curada por Deus.
  • Gordon Lindsey, autor de vários livros sobre cura, morreu com problemas cardiológicos.
  • A. A. Allen fundador do Vale dos Milagres, foi famoso por ser um dos pioneiros a criar um ministério voltado para cura. Morreu de insuficiência hepática.
  • Jamie Buckingham dizia que a pessoa tem aquilo que admite. Sofreu de câncer mas não admitia. Confessou ter sido curado na cruz do calvário, por revelação divina. Faleceu desse câncer que alegou a cura.
  • John A. Dowie afirmava ter horror a médicos porque ele os julgava instrumentos do diabo. Teve derrame cerebral e ficou inválido.
  • Ruth Carter Stapleton era evangelista e profetizava a cura com uma técnica desenvolvida por ela, semelhante à psicoterapia espiritual. Teve um câncer, recusou-se a receber tratamento médico e veio a falecer disso.

Atualmente no Brasil, líderes do movimento de cura pela fé, que estão à frente de grandes igrejas ditas evangélicas, também têm ficado enfermos e alguns até usam aparelhos para suprir defeitos físicos, o que entra em total conflito com suas crenças e postulados teológicos.

Quando eu leio sobre os ministérios desses homens, certamente que creio que o Senhor Jesus operou através da vida deles, usando a fé e o amor deles pelos enfermos, para trazer a cura a estes. Creio também que não só no passado como ainda hoje Jesus Cristo usa seus servos para trazer cura divina, como temos visto em tantos ministérios sérios, onde pessoas oram e impõem suas mãos, e a cura divina flui. Contudo eu creio também, que Deus tem seus propósitos insondáveis e pode curar ou não, ainda que seja alguém fiel a Ele. Deus é senhor absoluto de tudo e a Sua vontade se manifesta na vida dos seus servos, muitas vezes de modo que não entendemos, mas nos curvamos a ela, porque confiamos Nele como Pai.

(a continuar)

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Racchel Vieira Motta – Bel. Teologia – IEBV

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