Um Estudo Sobre o Crente e Suas Enfermidades – Capítulo 4

Um Estudo Sobre o Crente e Suas Enfermidades – Capítulo 4

UM ESTUDO SOBRE O CRENTE E SUAS ENFERMIDADES –

CAPÍTULO 4 – TESE APRESEENTADA NA CONCLUSÃO DO CURSO DE BACHAREL EM TEOLOGIA – FATEFÉ-SP – NOV/2017 – BEL. RACCHEL VIEIRA MOTTA.

( Continuação) ….

3 – DISCUSSÃO SOBRE A ESCOLA DE PENSAMENTO CONSERVADORA: O CRENTE FICA ENFERMO MESMO TENDO FÉ

Temos visto milhares e milhares de servos amados de Deus que adquiriram uma doença e sofreram em seus corpos os sintomas da enfermidade e nem por isso tinham pouca fé ou estavam em desobediência à Palavra de Deus.

Que peso para quem está nesta condição e ainda é rotulado de “pecador contumaz” ou de “crente de fé rasa”! Acusá-los de desobediência e descrença como sendo isso a causa de permanecerem doentes é absurdo e cruel. Que podemos dizer de Paulo, Timóteo, Epafrodito entre outros grandes servos que, segundo as Sagradas Escrituras, ficaram enfermos?

Imaginemos agora, quantos estão em seus leitos de dor, fiéis e submissos a Deus, com fé para continuar a crer Nele apesar das circunstancias negativas, mas que estão orando de maneira humilde, pedindo a cura, não reivindicando nada, porque são servos e se dobram ante a vontade divina. Estes manifestam assim, completa suficiência e dependência da graça e favor de Deus para sustenta-los, guarda-los e se for Sua vontade, curá-los.

No Salmo 41:3, aprendemos que Deus nem sempre cura nossas enfermidades, mas concede-nos forças e graça para que, mesmo no leito de dor, continuemos a glorificar o Seu nome e a confiarmos no Seu amor.

Entendemos que Sua vontade é soberana e não está circunscrita ao que o servo pede. O Senhor pode ou não responder de modo positivo à súplica do servo por cura, e nós o amaremos da mesma maneira, independente do que Ele faça para nós. O amamos pelo que Ele é e não pelo que Ele pode nos dar.

 

3.1  Corpo enfraquecido e corpo glorificado

 Entendemos que a salvação que nos foi garantida na cruz pelo Senhor Jesus, está relacionada à parte espiritual do homem, onde a alma e o espírito são restaurados e curados ainda aqui nesta terra, mas o corpo, que ainda está enfraquecido, vencerá esta debilidade, somente quando ele for glorificado, na vinda do Senhor Jesus.

Nosso corpo está sujeito a enfermar e vai morrer, mas somente pela cruz, aceitando esse sacrifício, é que alcançaremos a promessa da redenção. Assim nosso corpo está condenado a morte por causa da sua fraqueza adquirida com a queda da raça humana, que em Filipenses 3:21 é chamado de “corpo abatido”. No entanto, a contrapartida está em Romanos 8:11, a vivificação do corpo, que nos remete a um corpo futuro, sarado, que herdaremos, sem doenças ou qualquer tipo de enfermidade. Ainda em Romanos 8:19-23, encontramos que nós gememos em busca da adoção ou da redenção gloriosa do nosso corpo, quando da vinda do nosso Senhor Jesus.

Redenção do corpo significa livramento das condições atuais, das limitações e das enfermidades a qual estamos suscetíveis. Então teremos um corpo glorificado, quando nosso corpo que é mortal hoje, se tornará imortal na vinda de Jesus Cristo (cf I Coríntios 15:54).

Do ponto de vista da mortalidade do corpo físico, tanto do crente como do descrente, ele está sujeito às mesmas doenças e fragilidades. Contraímos doenças violentas e sofremos outras enfermidades menos invasivas, do mesmo modo que o descrente. Não existe diferença alguma entre a dor que um e outro venham a sofrer, na enfermidade. A corrupção que reside no corpo vai corroer tanto o corpo do fiel como o do infiel a Deus.

Até o Senhor Jesus voltar, todo filho fiel, obediente e amado por Deus, mais cedo ou mais tarde, vai enfermar e morrer, mesmo os que já vivenciaram uma cura divina. A glorificação só se dará na volta do Senhor Jesus, onde o último inimigo, a morte, será vencido, e ai nosso corpo se revestirá de glória e será totalmente curado para todo sempre  (cf II Coríntios 5:1-4).

3.2  Como devemos tratar nosso corpo

O que a Palavra de Deus nos pede quanto ao trato com nosso corpo, falando aos servos fiéis é que:

  • Devemos apresenta-lo como vaso de honra e em sacrifício santo a Deus (cf Romanos 12:1);
  • Nossos membros sejam para uma vida santificada (cf Romanos 6:19);
  • Nosso corpo é templo do Espírito Santo e que devemos glorificar a Deus através dele (cf I Coríntios 6:19-20 e Filipenses 1:20).

Além dos conselhos divinos, devemos cuidar do nosso corpo com zelo para que não seja pela nossa negligencia que venhamos a ficar enfermos.

As enfermidades citadas no Novo Testamento, a que foram acometidos servos como Paulo, Timóteo, Epafrodito e Trófimo, homens usados pelo Senhor de modo inquestionável, foram para que ficássemos sabendo que verdadeiros crentes não estão livres de doenças e eles buscaram a cura através de meios que nós usamos como a oração, os medicamentos, etc. Todos eles aprovados por Deus.

Adoecemos, senão por negligencia no cuidado do corpo ou no tratamento, também por inúmeras outras razões, como enfermidades herdadas ou adquiridas ao longo da vida. Cremos que também sofremos algumas outras que são permitidas por Deus para nos mostrar ou ensinar algum valor, e que tem como finalidade ficarmos mais dependentes Dele.

3.3 Estamos sujeitos a doenças mesmo sendo crentes fiéis

Esta assertiva é totalmente rechaçada pela corrente pentecostal mencionada anteriormente, que acredita que toda enfermidade é obra de demônios agindo na vida do enfermo. A finalidade do Senhor Jesus ao permitir a enfermidade é para que aprendamos, como vimos na vida do apóstolo Paulo, em II Coríntios 12:9, que a graça é suficiente para que vivamos, mesmo não recebendo a cura. Desta forma  glorificamos o Seu nome, ao recebermos a resposta Dele com um “não” e entendermos que Ele continua sendo nosso Pai amoroso que cuida de nós e em quem podemos confiar cegamente.

Mesmo passando por sofrimento, enfermidades e dores, devemos crer que Ele tem o melhor e sabe o que é melhor para nós. Ele nos visita e nos sustenta em meio às enfermidades. Não o adoramos e o servimos só porque tudo vai bem na nossa vida. À despeito das enfermidades, mesmo que não alcancemos a cura que pedimos, continuamos a adorá-lo e servi-lo.

A lição da absoluta dependência do Senhor Deus, independente do que estamos passando, precisa ser constantemente aprendida por nós, para que não percamos o que mais nos importa, que é a nossa salvação.

3.4  Vontade divina e vontade humana

Temos verdadeiro entendimento pela Sua Palavra, que Deus nos incentiva a orarmos e insistirmos em oração, acerca de nossas necessidades, inclusive,  referente à cura, mas precisamos aprender a descansar Nele e esperar que Sua vontade para conosco se realize, seja ela qual for.

Creio que sempre, curado ou não, a vontade de Deus para conosco é que O busquemos a cada dia e que confiemos em Suas mãos poderosas, que nos darão aquilo que for melhor para nossa vida, mas de tal modo que não venhamos a perder a vida eterna. Tem coisas que pedimos que, se nos for concedido, poderá nos levar a perder o bem mais precioso que já temos.

É aqui que colidimos com a linha teológica pentecostal, que creem na oração e a usam, mas declaram que nossa fé mais nossa confissão de cura são suficientes para sermos curados. Eles não aceitam orar e dizer “seja feita a Tua vontade Deus”, porque isso é admitir falta de fé. O próprio Jesus Cristo, em seu ministério terreno, nos ensinou a orar e declarar isso em seus evangelhos. Por isso cremos que esta postura é bíblica. Ao ir para a cruz, Jesus pediu ao Pai que se possível fosse passasse dele esta tarefa de morrer ali, mas que ele se submeteria a vontade do Pai e não a dele (cf Mateus 26:42).

Acredito ser presunção da minha parte, ao me achar tão certa de chegar na presença do Pai e exigir minha cura, porque é exatamente assim que, os que postulam a cura pela fé agem. Presunçosos os considero, porque acham que a vontade deles é que deve prevalecer.

Em I João 5:14 encontramos a única garantia da nossa vontade prevalecer: quando a nossa vontade está em total e incondicional consonância com a vontade de Deus, porque ela é soberana.

Voltando ao ministério de Jesus Cristo, quando perto da sua morte, em agonia e dor orou pedindo ao Pai que o livrasse, mas entendia que para isso viera e o que importava não era esse pedido, mas sim que o Pai glorificasse Seu nome através de Jesus na sua morte (cf João 12:27-28). O Pai não livrou o filho amado naquele momento, mas sim mais tarde, ao ressuscita-lo. O propósito de Deus era fazê-lo enfermar e morrer para que nós fossemos salvos e curados também, quando ressuscitarmos.

Ao lermos tantas outras passagens das Escrituras Sagradas quanto a enfermidades, salientamos que:

  • Não nos é negado orarmos pedindo a cura.
  • Se não vier a cura pedida, cremos que a graça Dele nos basta.
  • Nossa dor vai produzir um fruto excelente, espiritualmente falando, se nos humilharmos debaixo da Sua mão.
  • Qualquer que seja a vontade de Deus, cremos que ela é a melhor para nós.

Como discutimos em capítulo anterior, cremos que a enfermidade, a doença e a debilidade de nosso corpo surgiram com a queda do homem original quando pecou. Como o salário do pecado é a morte, Adão enfermou no corpo também, e isso foi transmitido às gerações subsequentes (Romanos 6:23 cf Genesis 3:19).

A enfermidade é consequência direta do rompimento de relação entre Deus e o homem, e fato é que isso não foi à vontade de Deus que nos dá o livre arbítrio.  Desse rompimento, ficamos totalmente vulneráveis à ação do pecado e de suas consequências, como a enfermidade. O pecado originou as doenças e o diabo recebeu legalidade para promovê-las; todavia isso não significa que estamos em pecado toda vez que enfermamos, mas significa que esta fragilidade do corpo só será vencida na nossa ressurreição, como o foi de Jesus Cristo.

3.5  Enfermidades para glorificar a Deus

Na Bíblia, em João 9:2-3, encontramos um homem cego, onde os discípulos perguntaram a Jesus se o homem estava assim porque tinha pecado ou fora porque seus pais tinham transgredido. Jesus responde que nem um nem outro, mas que era para manifestação das obras de Deus. Aquela enfermidade era para a glória do nome de Deus, por mais estranho que isso nos pareça.

Precisamos então entender que há um propósito na enfermidade quando a sofremos. É para que o Senhor Deus seja glorificado em mim? É para que eu aprenda a depender mais Dele? É para que eu vá me encontrar com Ele na morte? É circunstancial e então orando e buscando os recursos médicos necessários vou sarar? Como saber? O importante é que, mesmo estando o corpo debilitado pela doença, o espírito esteja inabalável confiando em Deus.

3.6 Servos fiéis descritos na Bíblia que enfermaram

Sabemos pelas Escrituras que homens fiéis a Deus foram acometidos por enfermidades físicas, a exemplo de Ezequias (cf II Reis 20:1-11), Jó (cf Jó 2:7-8), Elizeu (cf II Reis 13:14), Timóteo (cf I Timóteo 5:23), Trófimo (cf II Timóteo 4:20), Paulo (cf II Coríntios 12:7) entre outros. Para cada um deles a vontade de Deus se manifestou de maneiras diferentes, a uns curando e a outros não.

Queremos ressaltar que Ezequias foi curado por uma pasta de figos; Jó teve uma enfermidade terrível, durante meses foi afligido por esta doença produzida por Satanás, com a permissão de Deus, mas foi curado quando orava pelos seus amigos; Timóteo não foi curado e conviveu com sua enfermidade, mesmo trabalhando na obra do Senhor; Paulo teve “um espinho na carne”, enfermidade que o atormentava, e Deus lhe disse que não o curaria de modo explicito como veremos no tópico a seguir.

3.6.1  O espinho na carne de Paulo

Em II Coríntios 12:7-9, encontramos este relato de Paulo, acerca da sua enfermidade e da sua oração pedindo a Deus que o livrasse. Este texto é muito usado pela corrente pentecostal e pela conservadora onde cada uma advoga abordagens diferentes por leituras diferentes que fazem desse texto.

A corrente pentecostal usa este texto a seu favor com as seguintes premissas, segundo Osborn (2012) que é um dos defensores ardorosos desta linha: uma premissa é que o espinho na carne não era uma enfermidade física, mas sim era uma pessoa usada por Satanás para persegui-lo e a outra premissa é que Paulo não era doente porque senão não poderia curar outros, deduzindo que eles não creriam nele e isso não iria gerar neles a fé para receberem a cura.

A corrente conservadora que advogamos crê que o espinho era metáfora de uma enfermidade real, que o Senhor permitiu que Satanás semeasse nele, com o objetivo de fazer Paulo não se ensoberbecer espiritualmente. Isto não nos parece ilógico teologicamente falando, porque entendemos que, como Jó, mesmo nos justos servos o inimigo toca somente com a permissão de Deus e  para alcançar um propósito definido por Ele.

O espinho era a maneira de Paulo se referenciar a alguma enfermidade nos olhos ou em outro membro do seu corpo, e isso nos embasa o que lemos em  Gálatas 4:13-15 e em Gálatas 6:11. Sabemos por outros estudos teológicos, que Paulo tinha uma enorme dificuldade para enxergar e possivelmente foi por isso ele orou para que o Senhor desviasse dele este mal.

3.7  O maligno não tem poder sobre o crente fiel

Cremos mesmo que existem enfermidades de origem maligna, porque a Bíblia nos relata vários casos assim (cf Marcos 9:17 e Lucas 13:10-17); porém o diabo não pode tocar na vida e na saúde de um servo de Deus sem a devida permissão desse Deus, porque somos cobertos pelo sangue e pela proteção de Jesus Cristo.

Entendemos que a legalidade dada ao diabo para promover doenças, uma vez que o pecado é o condutor que favorece e dá esta legalidade a ele, não se aplica mais ao homem regenerado pelo sacrifício na cruz. Sofremos então essas enfermidades por causa da fraqueza do nosso corpo que só será reabilitado e fortalecido na volta do Senhor Jesus.

Ao homem ainda não regenerado que ainda não aceitou ser justificado pelo sangue do Cordeiro, Jesus Cristo, vertido na cruz, continua ele sob a legalidade do diabo para lhe afligir. Embora esta não seja a vontade de Deus, mas há Sua permissão porque este homem não regenerado está usado de seu livre arbítrio para não aceitar tal cobertura espiritual, como único remédio e blindagem contra esta legalidade do diabo.

Se formos crentes fiéis, podemos sim padecer enfermidades, mas pela desestrutura do corpo humano adquirida no Éden, quando Adão pecou, mas nunca porque o inimigo esteja agindo diretamente sobre nós. Quando somos regenerados por Deus, então nosso corpo é selado pelo Espírito Santo de Deus, nossa alma é transformada e nosso espírito pertence ao Senhor Jesus, e isso nos dá a total garantia que o maligno não nos toca. (cf I João 5:18).

De acordo com um artigo do pastor Augustus Nicodemus (2013), durante seu ministério pastoral, ele tem orado por pessoas doentes e estas ficaram curadas. Contudo, apesar de todas as orações e súplicas a Deus, ele vê como um fato inegável que muitos continuam enfermos e eventualmente vem a óbito mesmo sendo crentes fiéis ao Senhor Jesus. Em seu trabalho de capelania hospitalar, em grandes hospitais de do nosso país, A. Nicodemus nos diz que há um levantamento estatístico de crentes hospitalizados, por todos os tipos de doenças, sendo eles crentes tradicionais, pentecostais ou neopentecostais.

Será que são todos eles crentes infiéis e estão em pecado e assim ficam vulneráveis aos demônios ou será que não tem fé suficiente para determinar sua cura?

O pastor A. Nicodemus ainda nos adverte que, muitos que adoeceram ou tem parentes e amigos crentes que adoeceram, entram em crise profunda no que concerne à sua fé, por causa destes postulados da linha pentecostal. Imaginem aqueles que são orientados em suas igrejas acerca da cura pela fé, e de repente se deparam em leitos de morte, apesar de saberem que não estão em pecado e que declararam a cura e esta não veio? Quanto da decepção com a igreja, com o evangelho de Cristo, quem sabe até mesmo com Deus, é gerada em seus corações? Decepção esta que dependendo da dose, pode causar um mal maior que a enfermidade sofrida, que é a perda da esperança, da fé em Deus e quem sabe, até da salvação!

4  COMO O CRENTE DEVE AGIR DIANTE DA ENFERMIDADE

4.1 Buscar a cura na oração e na ministração

Precisamos quando em meio à uma enfermidade, antes de qualquer coisa, buscarmos em oração a cura para o mal. Somente em Deus encontramos equilíbrio para enfrentar essas lutas. Não podemos permitir que a dor e o sofrimento nos afastem da presença do Pai Eterno, ao contrário, precisamos nesta hora de fragilidade estarmos mais firmes e confiantes Nele.

Muitos crentes, nesta hora, culpam a Deus e ficam presos em questões que não contribuem em nada para a cura se processar. Não podemos nos esquecer de quem somos nós, pó, e um dia voltaremos ao pó (cf Genesis 3:19). Todo crente nessa situação, deve não ser dominado pelo medo e deve se fortalecer emocional e espiritualmente, trazendo à memória quem ele é em Cristo e a promessa que Ele fez, que mesmo em meio às lutas, Ele estaria conosco para nos ajudar a vencê-las.

Ao orarmos buscando em Deus a cura, ou através de um milagre ou através da medicina, precisamos crer que Ele é poderoso e continua a operar maravilhas e milagres em nossos dias. O que não podemos é nos esquecer da Sua soberania sob qualquer que seja a situação. Não podemos esquecer que se formos curados, isto é benção, mas senão, devemos confiar que nosso futuro está nas Suas promessas sobre a vida eterna ao lado do nosso Salvador Jesus Cristo.

A busca pela cura em oração deve preceder um coração quebrantado e submisso ao agir de Deus. Esta busca pode ser feita pela própria pessoa ou por líderes da igreja que imporão às mãos sobre o enfermo orando por ele (cf Tiago 5:14-16). Não temos uma receita de como a cura deve ocorrer, mas certamente que ser submisso ao Senhor Jesus e ter fé em Seu poder, é indispensável para o milagre poder ocorrer. Cremos vigorosamente que a fé é o fator indispensável para o milagre possa ser promovido. Ao exercermos nossa fé, lutando com Deus por qualquer que seja o milagre, mas em submissão e humildade, estamos usando um direito que Ele nos dá. O que não aceitamos é se exigir a cura, por achar que já temos este direito e por isso Ele tem a obrigação de nos atender em nossa reivindicação.

O Novo Testamento nos ensina três maneiras, como o poder de Deus aliado à fé do crente age, ao se ministrar a cura em  pessoas com enfermidades e que são:

  • Por imposição de mãos sobre o enfermo, de quem tem autoridade dada por Deus para tal  ministração (cf Marcos 16:15-18 e Atos 9:17)
  • Por confissão de pecados seguida da unção do enfermo com óleo, pelos presbíteros da igreja (cf Tiago 5:14-16)
  • Pelos dons espirituais de cura, concedidos à igreja, quando o Espírito Santo impele quem tem o dom de ministrar a cura para orar pelo enfermo (cf I Coríntios 12:9).

Em todos estes casos, a “” opera e é totalmente indispensável, tanto para a cura ser ministrada como para ser efetivada.

Em seu ministério terreno, Jesus Cristo curou todos os que se achegavam a Ele. Entrava em cena o fator fé e coração quebrantado. Contudo, em alguns lugares, como em Nazaré onde vivia, Ele nada pode fazer acerca da cura, porque eram incrédulos (cf Mateus 13:58). Os que mais conheceram a Jesus foram os menos beneficiados com a cura, por sua incredulidade. Fé, submissão e humildade são os primeiros  passos para o milagre ocorrer.

4.2 Buscar a cura na medicina e em profissionais afins

Outra atitude a ser tomada quando vier a enfermidade, se não alcançamos a cura divina, é buscar solução na medicina, consultando médicos e fazendo o tratamento indicado. Isto é bíblico e Jesus disse que médicos existem porque existem enfermos (cf Mateus 7:12). Quer seja física ou emocional ou da psique, deve-se procurar médicos especialistas que podem, através de tratamentos, trazer a cura, ou pelo menos, o controle da enfermidade, com medicamentos que podem minorar a dor e os sintomas da doença.

4.3 Buscar a libertação em casos de opressão demoníaca

Quando a enfermidade é de ordem espiritual, onde há legalidade dada a Satanás para agir na vida de alguém, precisamos primeiro levar a pessoa a liberar perdão para quem a feriu, para que a raiz do mal possa ser arrancada; ou talvez seja levar a pessoa a se arrepender e confessar seus pecados. Outra atitude é ver se a pessoa está ligada a práticas ocultistas e se ela quer ser liberta, onde além de se arrepender e confessar estas práticas, ela deve se voltar para aquele que liberta: Jesus Cristo e começar uma vida nova cristã. Nestes casos é necessário levar a pessoa a se submeter à ministração de libertação, feita por servos consagrados ao Senhor Jesus.

 Nesta ministração de libertação deve-se levar a pessoa enferma espiritualmente, a entender a razão da opressão em sua vida e de querer fazer:

  • Uma “oração de renúncia”, onde são desfeitas as alianças com demônios, feitas em seu passado;
  • Uma “oração de confissão e arrependimento” por ter praticado pecados contra Deus como: lascívia, sensualidade exacerbada, fornicação, adultério, prostituição, pornografia, masturbação, homossexualismo, bigamia, incesto, bestialidade entre outros;
  • Uma “oração de desligamento”, de relacionamentos com parceiros sexuais do passado ou com qualquer outro relacionamento que seja abominação a Deus. Tem alianças de sangue que se tiverem sido feitas precisam também ser desfeitas e confessadas.

Estas orações devem ser feitas pela pessoa enferma, não só por palavras ditas, mas também fazendo a pessoa entender que precisa buscar ter atitudes que corroborem as orações feitas.

Segundo Coty (2005,p.133), o pecado pode introduzir uma maldição que vai influenciar negativamente na pessoa e quando este pecado é confessado, e levado à cruz de Cristo, esta influencia é anulada na vida da pessoa. A verdadeira libertação é baseada na confissão de pecados e iniquidades cometidas, de modo a trazer arrependimento a partir do momento da confissão.

Outra atitude é se levar a pessoa com problemas espirituais, a quebrar maldições presentes em sua vida ou em sua geração, declarando Gálatas 3:13 onde Cristo levou todas as maldições na cruz, nos libertando delas. Este entendimento que só através de Cristo, nosso Libertador, é que somos libertados e curados, precisa ser ensinado à pessoa enferma.

Se a pessoa tem possessão demoníaca, deve o servo fiel que está ministrando a libertação, expulsar os demônios antes de conduzir à pessoa as orações e declarações acima citadas.

Ainda nos ensina Coty (2005,p.149):

Libertação não é expulsar irresponsavelmente os demônios de uma pessoa, mas retirar o direito legal que permitiu o alojamento deles. [...] princípio de confessar intercessoriamente a iniquidade que desencadeou uma ação demoníaca [...].

Não podemos deixar, em qualquer caso de doença espiritual, de levar a pessoa a buscar uma vida de relacionamento com Cristo, ensinando-a a ler a Bíblia onde ela vai encontrar o que precisa para uma vida de santificação e consagração a Deus.

A libertação precisa ser entendida como um processo que vem como consequência da salvação, proporcionando uma vida espiritualmente sadia e santificada, levando a crente a ter um relacionamento mais próximo com o Pai. ( A continuar)!…..

 

racchel_motta_foto

Racchel Vieira Motta – Bel. Teologia – IEBV

Share